Como descobrir seu dom?

Encontrar seu dom natural é o primeiro passo para se realizar na vida

Eugenio Mussak

Edição 0064

Descubrir seu dom permite trabalhar com o que se gosta e ser feliz
Ilustração: Marcelo Cipis

Conhecer a trinca dom-talento-vocação é um fator importante para a realização pessoal. E, para que se entenda a diferença entre esses três itens, a obra do cineasta polonês Krzysztof Kieslowski pode ser relacionada: ele diz que que o dom é branco, o talento é vermelho e a vocação é azul, porque essa trilogia de cores formaria o pequeno arco-íris de nosso destino.

O dom é branco, espiritual, porque é um presente de Deus ou, se soar melhor para você, da Natureza. O talento é vermelho porque depende da força, do suor, da determinação para ser desenvolvida e aprimorada. A vocação é azul porque representa um chamado, algo que vem do horizonte; da vida.

Dom vem do latim donu, presente, dádiva. E algumas pessoas nascem com algo especial, que lhes permite realizar bem alguma coisa, com extrema facilidade. Mas se engana você ao pensar que somente os gênios possuem essa dádiva.

Já talento é outra coisa, parecida na essência, mas diferente na origem. O talento pode ser desenvolvido com treino, disciplina e obstinação. Há quem tenha dom, mas não talento. Vale lembrar que não adianta a inspiração sem a transpiração, que significa a disciplina para desenvolver seu potencial.

E, quanto à vocação, esse substantivo feminino também tem origem latina e significa o ato de chamar. Quem segue sua vocação obedece a um chamado. Esse chamado pode ser ouvido como o prazer e a felicidade em realizar determinadas tarefas. Quando fazemos algo que nos dá prazer, e com relativa facilidade, estamos atendendo à nossa vocação.

A honestidade

Só somos verdadeiramente honestos se estivermos fazendo aquilo para o que nascemos. O duro é descobrir o que é, mas há pistas. O psicólogo americano Mark Albion nos dá uma em seu livro Making a Life, Making a Living (algo como: construa sua vida, construa um estilo de viver). A obra é baseada em uma pesquisa conduzida pelo especialista, feita com 1500 jovens que saíam de suas universidades e procuravam suas carreiras.

Albion percebeu que, do total de jovens, 83% buscavam realização financeira. Os outros 17% relatavam que estavam interessados em atender à sua vocação, que era definida por eles como "algo que me dê prazer, satisfação, que eu goste de fazer". A pesquisa acompanhou esses jovens por 20 anos e, após esse tempo, constatou que, do total, 102 haviam alcançado imenso sucesso em suas carreiras, inclusive financeiramente. Destes, 101 pertenciam ao grupo dos 17%. Aqueles que, ao caçarem o sucesso, miraram no prazer e acertaram na vocação. Afinal, ser talentoso é ser feliz, encarar os problemas como parte da atividade, criar um estilo pessoal ao realizar um trabalho comum.

O mundo está cheio de pessoas que abriram mão de uma carreira supostamente "de sucesso" para realizarem seu sonho, aparentemente "maluco". Gente louca? Pode ser, mas, como canta a talentosa Rita Lee: "Dizem que sou louca por pensar assim; mais louco é quem me diz que não é feliz!".

* Eugenio Mussak é educador e escritor
Acesse: www.sapiensapiens.com.br