Bogotá completa este ano 300 quilômetros de ciclovias. Nova York já separa carros de bikes em sua 9ª Avenida. Londres restringe o acesso e a velocidade dos carros em seu centro histórico para dar lugar às magrelas. Em Paris, aumenta a cada dia as estações de bicicletas que podem ser alugadas por 1 euro. Exemplos como esses são seguidos por Barcelona, Bruxelas, Estocolmo e Viena, para não falar de Amsterdã, cidade que possui pontes e viadutos exclusivos para ciclistas. Enquanto São Paulo discute, as grandes cidades do mundo se rendem a esse meio de transporte democrático, que ocupa pouco espaço, não polui e ainda pode render poesia urbana. É isso mesmo: em Lisboa, a ciclovia recém-inaugurada aos pés do rio Tejo é grafada, com letras garrafais, com trechos do poema O Guardador de Rebanhos, de Fernando Pessoa. Enquanto se pedala, é possível ir lendo a poesia que se arrasta por centenas de metros. “Pelo Tejo vai-se para o mundo...” A mente viaja e nem sente o tempo passar.