E voltam. Quatro garotas de VIDA SIMPLES contam como é a experiência cotidiana de se deslocar de bicicleta pelas ruas de São Paulo
fotos Alexia Santi e Guilherme Gomes
A viciada
Comprei uma bicicleta impulsionada pela busca de uma nova experiência urbana. Há seis meses, mudei para o centro de São Paulo sozinha, o que exigiu uma redução de orçamento. Ali uma vaga fixa num estacionamento vale ouro. Parei de usar o carro e comecei a ir para o trabalho com minha bike, apelidada Ginger (gengibre em inglês, um poderoso energético). Viciante. Mas a delícia de sentir a temperatura dos dias e noites se misturou com a necessidade de estratégias para contornar as dificuldades.
Percurso: o trajeto até o trabalho é longo, com duras subidas. O cansaço é inevitável. Alterno semanas em que faço absolutamente tudo de bike e outras em que me rendo um ou dois dias a carona, táxi ou ônibus. As ruas secundárias são mais agradáveis, mas escuras à noite. Para driblar os riscos, instalei faróis pisca-pisca na frente e atrás e procuro estar atenta, mas sem paranoia.
Tempo: fiz um teste com um amigo que anda de carro, mora no mesmo prédio e trabalha no mesmo lugar que eu e descobri que fazemos esse deslocamento no mesmo tempo, meia hora. Com a Ginger vou mais rápido que com o ônibus.
Intempéries: minha bike é dobrável. Em dias de chuva ou quando tenho algum programa depois do trabalho, em um minuto ela é reduzida a 1/3 do tamanho e acolhida num porta-malas. A mochila vai amarrada no guidão, mais comprido que o de uma bike normal. Nele também coloco as sacolas,
quando faço supermercado.
Mulher de bike: equipada e agindo corretamente, uma ciclista é mais respeitada, mas sim, somos assediadas. É preciso escolher uma roupa leve, que não enrosque, e um sapato firme. As ladeiras fazem suar, por isso às vezes uso saia com bermuda por baixo e tive que me matricular em uma academia no prédio onde trabalho para tomar banho antes de começar a correria da redação.
Em janeiro deste ano vendi o carro e ganhei dois desafios: equilibrar poesia com senso prático.
Frequência da casa para o trabalho: 3 a 5 vezes por semana Distância casa-trabalho: 7 km Traje: tênis ou sapato, saia com short por baixo com regata Equipamentos: capacete, pisca-pisca, refletivos, luvas, cadeado, buzina
Fabiana Rodrigues é designer e corta seu próprio cabelo