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Manual prático da boa vizinhança

O pecado mora ao lado – mas você também não é um poço de virtude o tempo todo, certo? Mostramos como se pode lidar com sete tipos de vizinho problema para ter uma convivência mais harmoniosa em casa ou no prédio

texto Leandro Sarmatz
ilustrações Flávio Rossi

Basta de Donald versus Silva. Lembra da encrenca? Nos clássicos quadrinhos da Disney, o pato de voz rouca vivia a se engalfinhar com seu vizinho de cabelo escovinha e maus-bofes logo ali, do outro lado da cerca. Não havia paz. Os dois funcionavam na base da retaliação. Se Donald fazia muita fumaça na hora de assar o churrasco no pátio, Silva era capaz de acender a maior fogueira do pedaço, deixando o ar completamente irrespirável. Um inferno. Divertidíssimo e cruel – mas quem de nós se atreveria a declarar de cara limpa que nunca teve algumas rusguinhas com o cidadão que mora ao lado (ou em cima, ou embaixo...)?

É um tema delicado. Embute-se na palavra “vizinho” um sem-número de boas e más intenções, choques culturais, desconfianças, hábitos arraigados na intimidade do lar. Nunca se tem muita certeza se o que você está fazendo pode incomodar a outra pessoa que vive nas proximidades. Claro que o básico todo mundo sabe (ou deveria saber): demonstrar cortesia com o próximo, respeitar as normas estabelecidas em comum, não invadir o espaço alheio, jamais perturbar o sossego da maioria. Regrinhas que todos nós, como bons Homo sapiens que somos, devemos dominar de forma quase inata, assim como o uso do polegar opositor

Mas na hora do vamos ver, a coisa muda de figura – acirram-se os ânimos por quase nada. E, mesmo que seja um problema do tamanho de um bonde, muitas vezes até dá para solucionar a questão com delicadeza. Antes de chamar o síndico, acionar a polícia e contratar o advogado, imagine se não é possível conversar, se entender, entrar em um acordo.

Fofura? Então pense na seguinte escala: país, estado, cidade, bairro. Falta alguma coisa? Pois bem: a vizinhança. O nosso comportamento e o do vizinho espelham a relação que temos com a comunidade da qual fazemos parte. Costumamos levar para dentro de casa os mesmos vícios e virtudes que marcam a sociedade. O seu prédio pode ser chique no último e ter nome francês, mas nunca vai ser o principado de Mônaco se você se comportar mal.

Há uma saída? Sim, como você verá a seguir. Quem sabe ajeitando a convivência no condomínio, a gente não começa a construir uma realidade melhor para todos na cidade, no estado e no país. Manja aquela parábola da gota no oceano?

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LIVROS
Revolucionando o Condomínio, Roseli Schwartz, Saraiva15/12/2008

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