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“A cerâmica é ao mesmo tempo a mais simples e a mais difícil de todas as artes”, escreveu certa vez o crítico de arte inglês Herbert Read, em seu livro O Significado da Arte. É isso mesmo. “A mais simples, por ser a mais elementar; a mais difícil, por ser a mais abstrata”, anotou. Mas quem se aventurar a pôr a mãos no barro para transformá-lo em objetos como xícaras, potes, panelas ou esculturas poderá ser fortemente recompensado. O trabalho com a argila proporciona postura corporal, reeducação da respiração, concentração e até mesmo meditação. “A disciplina no fazer continua sendo o ingrediente básico para se conseguir centrar o monte de barro”, diz a ceramista Hideko Honma. Com o barro centrado, a próxima etapa é o trabalho no torno, onde ele gira em movimento centrífugo para ganhar forma. “É tão intenso que minha mão parece estar em pausa. É quando os pensamentos são esvaziados um a um, e surge a criação das novas formas.” Além disso, há um outro sentido em manusear o barro: “O prazer de mexer com algo que é muito antigo”, diz o artista mineiro Máximo Soalheiro. É verdade. Fazer da terra objetos úteis é uma atividade que precede até a descoberta do fogo. “Ao mexer com a argila, entramos em contato com nossa ancestralidade”.
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