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Borobudur

Nas encostas da selva javanesa está preservado o maior templo budista do mundo

Texto Marcia Bindo
Fotos Iara Venanzi

slideshow_borobudur_1.jpg|A ilha de Java conserva em seu interior um misterioso templo de nome curioso: Borobudur, o maior monumento budista do planeta, Patrimônio Mundial da Humanidade. Borobudur, ou o “santuário dos incontáveis budas”, fica na parte central de Java, a 40 quilômetros da cidade de Jogiacarta, ponto de partida para quem visita as ruínas. Sua história é tão fascinante quanto incerta. Acredita-se que foi construído no século 8 como templo hinduísta, que depois se tornou budista. Por volta do ano 1000 foi parcialmente soterrado pelas cinzas de um vulcão, e com o passar do tempo foi envolvido pela selva. Permaneceu assim, por quase um milênio, escondido pela vegetação, até sua redescoberta em 1814, durante escavações arqueológicas. Desde então, passou por duas restaurações. Hoje, Borobudur é um centro de peregrinação de budistas e a atração turística mais popular da Indonésia.| slideshow_borobudur_2.jpg|Visto de longe, Borobudur tem o formato de uma pirâmide com dez pavimentos. Os seis primeiros, de base quadrada, representam o mundo terreno. Os quatro últimos são circulares e simbolizam o céu. Observado de cima, o templo tem a curiosa forma de uma mandala, diagrama usado na prática de meditação. Feito com cerca de 1 milhão de blocos de pedras vulcânicas, cada uma pesando cerca de 100 quilos, o principal sentido do monumento é simbólico. Uma magnífica mandala de pedra. Um impressionante santuário com 34,5 metros de altura, cujas escadarias são uma referência à ascensão do ser humano ao Nirvana, descrito pelo budismo como um estado de paz e plenitude.| slideshow_borobudur_3.jpg|Para alcançar o topo do templo, visitantes percorrem, sempre em sentido horário, cerca de 5 quilômetros de galerias a céu aberto, ornadas por ricos desenhos entalhados em alto-relevo. As figuras representam antigas escrituras budistas, que falam da transição da existência, dominada pelas paixões, a estados de evolução espiritual.| slideshow_borobudur_4.jpg|“Você segue viajando pelos painéis esculpidos dos corredores e nem percebe que está sendo levado para cima. Quando chega ao último terraço, amplo e ensolarado, não há mais paredes - a sensação é libertadora”, diz Iara Venanzi, fotógrafa deste ensaio. No centro, há uma grande estupa (estrutura em forma de sino criada para guardar peças religiosas), cercada por mais 72 estupas menores.| slideshow_borobudur_5.jpg|Ao todo, são 432 estátuas de Buda, muitas sem cabeça ou desgastadas pela ação do tempo. Pudera: a região, emoldurada pela silhueta de vulcões ativos, tem terremotos freqüentes, temperaturas altas e chuvas abundantes. Devido às condições naturais desse pedaço da Indonésia, combinadas aos séculos de desinteresse do governo local, o estado do santuário tornou-se crítico. Em 1973 Borobudur começou a ser reconstruído pela Unesco, numa reforma que durou quase uma década. O monumento foi totalmente desmontado, e cada pedra foi marcada, tratada e limpada quimicamente, antes de ser novamente recolocada. Tudo para preservar o lugar sagrado, que busca unir o céu com a terra.|Buda por toda parte
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