Nos confins do país com a maior população do mundo, as minorias étnicas vivem suas tradições em um cenário fantástico
texto Lara Herrera
slideshow_chinasul_1.jpg|As impressionantes imagens de montanhas, desenhadas repetidamente em rolos de seda chineses e japoneses, não são fruto apenas da fértil imaginação dos seus artistas. Esses cenários de fantasia têm um lugar concreto na Terra. Na província de Yunnan, ao sul da China, suas formas são tão exóticas que a mente desconfia do que os olhos vêem. Quando as primeiras montanhas surgem no caminho entre a cidade de Guilin e o rio Li, é impossível até mesmo distinguir a que distância elas se encontram. Um ao lado do outro, esses prédios de calcário brotam do chão e elevam-se a centenas de metros. Sob o sol forte e o calor, multiplicam-se no horizonte até cercar totalmente seus admiradores. Esgueirando-se entre elas, corre o transparente e calmo rio Li. Em um passeio por suas águas, é possível ver pescadores equilibrando-se em pequenos barcos de madeira, em perfeita comunhão com a natureza.|slideshow_chinasul_2.jpg|Distantes dos centros mais populosos da China, as províncias de Guangxi e Yunnan são povoadas por minorias étnicas. O povo Chuang é uma delas. Vivem em planícies e nos vales dos rios. Cultivam arrozais em terraços cuidadosamente preparados pela mão humana. Quando vistos de cima, os diques acompanham as nuances do relevo e recriam um mar de ondas a quilômetros de distância do mar. Desde as primeiras horas do dia, homens e mulheres, jovens e idosos, se revezam para se certificar de detalhes incompreensíveis para um estrangeiro. Entre os chineses, os Chuang são conhecidos como os povos das águas. Seus povoados estão sempre próximos dos rios e suas casas são apoiadas em estacas. Por mais de 2 mil anos, esse grupo coexiste pacificamente com os Han, a principal etnia do país.|Ondas na terraslideshow_chinasul_3.jpg|Em Yunnan, as mãos delicadas que labutam na colheita do arroz são as mesmas que costuram coloridos e delicados enfeites em blusas, bolsas e calças. No país com a economia que mais cresce no mundo, as meninas do grupo étnico Hani preservam as tradições puras de seus ancestrais. O grupo é uma das 20 nacionalidades que habitam a província, a maioria de agricultores. Possuem sua própria língua e são politeístas. Cultivam o arroz e são conhecidos pelos chás que produzem duas das mais relevantes tradições chinesas. Na década 60, a forma de viver e a arte dos Hani foram reprimidas pela Revolução Cultural liderada por Mao Tsé-tung, que considerava heresia tudo o que não estava de acordo com sua ideologia. Há cerca de duas décadas, os Hani iniciaram um intenso reflorescimento cultural.|Cores no arrozalslideshow_chinasul_4.jpg|Rochas do tamanho de prédios de 12 andares formam um dos mais exóticos e magníficos lugares do planeta, na cidade de Shi-lin, província de Yunnan. Uma caminhada em meio a essa obra de arte natural, que se estende por uma área de 350 quilômetros quadrados, deixa o visitante com a impressão de estar explorando uma floresta petrificada. Os nomes usados para batizar algumas cenas falam de rinocerontes, cogumelos e búfalos, o que reforça ainda mais esse sentimento. Fósseis e conchas encontrados nessas paredes revelam que estiveram cobertas pelo mar há 270 milhões de anos. A diminuição do nível da água, o vento e a chuva corroeram o maciço rochoso e geraram figuras especiais. Rochas que disputam entre si um lugar ao sol.|Floresta de pedra