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Quênia

A África real que povoa nosso imaginário

por Fernando Quevedo
com texto de Leandro Sarmatz

slideshow_quenia_1.jpg|Como escrever sobre a África. A afirmação, capciosa, foi formulada pelo jornalista queniano Binyavanga Wainaina em um artigo já clássico publicado na revista britânica Granta. Irônico, o autor enfileira à guisa de manual uma série de clichês e palavras que aparecem quase que automaticamente no texto de quem escreve sobre o continente, como “trevas”, “safári”, “continente negro”, “sombras” e “grandes migrações”. Pode ser verdade. Mas também é verdade que lugares como o Quênia ­ país da chamada África Oriental, crivado de parques nacionais e reservas naturais ­ galvanizam a imaginação do mundo. E, claro, seus cenários evocam os filmes de safári da infância. O que dizer, portanto, dessa deslumbrante imagem, capturada do alto de um balão pelo fotógrafo Fernando Quevedo, da migração de gnus (um herbívoro parecido com o búfalo) na Reserva Masai Mara, a mais importante do país? Deslumbrante, é claro. E cinematográfica.| slideshow_quenia_2.jpg|Os parques e reservas são habitados por tribos de guerreiros e pastores. No vilarejo de Loyangalani, ao norte do Quênia e às margens do lago Turkana, a menina da tribo turkana sustenta no pescoço uma série de vistosos colares e, sobre a cabeça, os mantimentos comprados para levar para a aldeia.|Guerra e pasto slideshow_quenia_3.jpg|Tangendo o rebanho de cabras, um pastor da tribo samburu usa uma túnica vermelha, a cor “oficial” que distingue seu grupo. Os masai são um povo nômade, cuja riqueza é comprovada pelo número de cabeças de gado.| slideshow_quenia_4.jpg|Na reserva Masai Mara, as zebras parecem atentas ao ambiente. Normal que seja assim: a qualquer momento um leão faminto pode aparecer nas redondezas, apavorando esses animais que os biólogos chamam de “presa natural” do rei da selva. Os leões são mais prosaicos: para eles, são apenas “refeição à vista”.|Vida com muitas formas slideshow_quenia_5.jpg|Mas a cadeia alimentar ali é vasta, como se pode comprovar com a visão desse quarteto de cegonhas de bico amarelo. Estão apenas matando a sede? Que nada: estão pescando em Hiena Dam, um bebedouro próximo ao rio Talek.| slideshow_quenia_6.jpg|Vistas ao longe, sob a luz da lua, esse grupo de girafas tem algo de inverossímil: o horizonte parece a linha de uma partitura e elas, notas musicais. Poesia à parte, a imagem fascina pelo que tem de real e de cinematográfica ao mesmo tempo. Bandos desses animais herbívoros, que sempre despertam o fascínio das crianças, se movem por Masai Mara em busca das copas das árvores, onde costumam ficar se alimentando durante até 20 horas por dia. Rápidas, correndo a uma velocidade de cerca de 50 quilômetros por hora, elas quase não têm predadores na fase adulta ­ com exceção, nunca se pode esquecer, dos leões.|A lua das girafas
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