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Para sempre

Clássicos da literatura se renovam o tempo todo

Leandro Sarmatz

No livro Por que Ler os Clássicos, o escritor italiano Italo Calvino apresenta a seguinte definição para esses livros que, de Homero a William Shakespeare, de Machado de Assis a Jorge Luis Borges, continuam seduzindo legiões de leitores através dos tempos: Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer. Verdade. Experimente sacar da prateleira uma edição do Dom Quixote, de Cervantes. Quando foi publicada pela primeira vez, no século 17, a história do fidalgo empanturrado de histórias de bravura que empreende uma jornada pela Espanha foi lida como um deboche das aventuras de cavalaria, muito populares naquele tempo. Hoje, o livro de Cervantes é considerado uma lição sobre as ilusões e os enganos em que muitas vezes embarcamos nessa vida. Mas a lista de clássicos aumenta a cada nova obra-prima das letras (assim como as renovadas lições que esses livros trazem aos mais atentos). É o caso de Em Busca do Tempo Perdido, do francês Marcel Proust, um dos maiores clássicos do século 20. Por trás das histórias da gente muito chique de Paris, o autor tece a delicada trama de uma reflexão sobre a brevidade da vida e sobre as virtudes da memória que tem o poder de trazer de volta (sempre com novos e diferentes detalhes) as sensações e experiências de cada um de nós. Justinho como um desses livros eternos.

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