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Canções sobre amizade sempre soam meio piegas. Mas algumas são mesmo comoventes: “Amigo é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito... Mesmo que o tempo e a distância digam não”. Amigo a gente guarda no coração e na agenda, acrescentaria eu, modestamente, à letra composta pelos camaradas Milton Nascimento e Fernando Brant. Hoje, com o Orkut, ficou mais fácil encontrar os amigos do passado que a vida espalhou pelo mundo. Mas, bem antes da internet, sempre houve quem reunisse a turma da escola ou da faculdade para uma festa, sob o pretexto de (mais) uma década que se passou. É mais que matar saudade. Reviver antigas amizades é uma forma de nos reconciliarmos com a nossa história. “As matrizes da nossa vida afetiva são formadas na infância e na adolescência”, afirma o psicólogo Ailton Amélio da Silva. “Nesses períodos sensíveis, Tivemos nossas experiências mais marcantes.” Acabo de reencontrar, pela internet, dois amigos do ginásio, que não vejo há 12 anos. Hoje moramos os três em cidades diferentes e nos descobrimos em biografias imprevistas. E pensar que eu, na oitava série, queria ser advogado e arquiteto (já nem me lembrava disso!). Sonhos, brincadeiras, excursões, quadrilhas, gincanas... e as crianças que nós fomos. Amizades do passado fazem um bem danado para a memória. Qualquer dia, amigos, eu volto, para nos encontrarmos.
Livros:
Velhos Amigos, Eclea Bose, Companhia das Letras
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