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Abrolhos

por Marcia Bindo
com fotos de João Marcos Rosa

slideshow_abrolhos_01.jpg|Cinco pontos de terra aos poucos se aproximam. O arquipélago surge discreto, a 70 quilômetros da costa sul baiana, porta de entrada dos primeiros colonizadores europeus. E abrigam em seu entorno um dos maiores e mais ricos recifes de coral do Atlântico Sul – também um obstáculo à navegação, responsável por muitos naufrágios no passado. O primeiro homem a citar as ilhas foi o sábio das artes náuticas Américo Vespúcio, que guiou a expedição de 1503. Preocupado em registrar os perigos da área, ele anotou em sua carta de navegação: “Quando te aproximares da terra, abre os olhos”. Da repetição do aviso, com sotaque português, surgiu o nome Abrolhos. O farol encravado num dos pontos mais altos da ilha de Santa Bárbara, a única habitada e que pertence à Marinha brasileira, é monitorado por militares que vivem ali com suas famílias. Inaugurado em 1861, o segundo farol mais antigo do Brasil ainda hoje norteia e ilumina a noite dos navegantes.| slideshow_abrolhos_02.jpg|Borrifos, saltos, caudas. Durante a travessia de mar que leva a Abrolhos, notáveis surpresas. De julho a novembro, as dóceis baleias jubarte deixam a Antártida em busca das águas mornas da região para ter filhotes e amamentar. Suas acrobacias e cantos são parte do ritual de acasalamento e parte do espetáculo que ainda está por vir. O mar cristalino ao redor do arquipélago permite uma visibilidade de até 25 metros de profundidade: por isso é um dos dez melhores pontos de mergulho no mundo. Corais raros são condomínios para uma infinidade de seres marinhos, peixes, moluscos, esponjas, onde circulam imensas tartarugas, transformando Abrolhos num magnífico aquário natural.|Águas raras slideshow_abrolhos_03.jpg|Despidas de farta vegetação, as ilhas à primeira vista podem parecer sem graça. Isso até o barco se aproximar das suas encostas, ampliando seus ângulos, desenhos e reentrâncias – trazendo à tona detalhes surpreendentes de suas rochas vulcânicas. Dispostas em forma de círculo, as ilhotas são provavelmente restos da borda da cratera de um vulcão. Por conta desse solo, há apenas parcos arbustos e uma mata rasteira.|Geografia particular slideshow_abrolhos_04.jpg|Apesar de árido, Abrolhos não tem a solidão das ilhas oceânicas. Foi o primeiro Parque Nacional Marinho criado no Brasil, em 1983. E recebe anualmente mais de 15 mil visitantes monitorados pelo Ibama, que protege a conservação da sua rica biodiversidade.| slideshow_abrolhos_05.jpg|Nem tanto ao mar, nem tanto à terra: há ainda outra surpresa se olharmos para cima. O céu dança vagarosamente nas asas das aves marinhas que pairam sobre as ilhas, sinalizando terra firme. Abrolhos acolhe centenas de espécies, entre elas as residentes grazinas, fragatas, pilotos e atobás. Essa fauna atraiu o naturalista inglês Charles Darwin, que em 1832 fez o primeiro registro das aves do arquipélago. A ilha de Siriba (foto) é a única onde é permitido desembarcar acompanhado de fiscais do Ibama. Nela é possível percorrer uma trilha que passa por campos repletos de atobás, a espécie mais comum, e ver bem de perto os ninhos e filhotes desses pássaros, já bastante acostumados com a presença humana.|Vôo rasante
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