slideshow_horizonte_01.jpg|Céu e mar parecem se unir onde passa uma linha imaginária. É em frente ao oceano que o horizonte se manifesta da forma mais plena, como na Praia do Forte, na Bahia. Na ausência de obstáculos, os olhos ficam livres para ver. Cada vez mais longe, como se tentassem avistar o infinito ou simplesmente o desconhecido. O que procurar? Nada importa além da busca. O horizonte é a tradução geométrica de nossas inquietações. Uma reta que resume nossos desejos. Por mais que se ande em direção a ele, sempre será impossível alcançá-lo. O horizonte nos impulsiona, no anseio de saber o que há no além-mar. É como um fio que, de certo, não se apalpa, mas tem a nitidez necessária para nos fazer seguir, que seja no pensamento, para um novo lugar.|slideshow_horizonte_02.jpg|Do solo seco ao fértil. Sem distinção. O horizonte é onipresente. Uma linha que perpassa todas as paisagens. Está em todo lugar a todo tempo. Assiste aos ciclos da vida e da história. No inverno, vê a água da chuva formar um lago que, mais tarde, se deforma em terra seca, em Alagamar, no Rio Grande do Norte. A área é imensa. De nenhum ponto se avista o fim. Apenas a terra, que nada dá, a tocar o céu, como num pedido de clemência pelas gotas que a transformarão num espelho d’água.|Eterna impermanênciaslideshow_horizonte_03.jpg|O horizonte segue inerte, ileso ao ventos e aos eventos, como o único fator original da paisagem, também em Zaragoza. Mas ser eterno, desta vez, não significa ser permanente. Talvez, seja o horizonte ainda mais vulnerável do que todos os humanos ou a natureza: transforma-se nos olhos de quem o vê, pois nada mais é que um ponto de vista.|slideshow_horizonte_04.jpg|O filósofo grego Aristóteles dizia que uma cidade teria o tamanho ideal quando pudesse ser abarcada em um só lance de olhar. O sítio arqueológico Lajedo Soledade, a 420 quilômetros de Natal, seguiria essa regra. Entre as pedras, há grandes fendas e crateras cheias de fósseis animais e pinturas rupestres, resquícios de uma civilização, ainda que primitiva. Ao esticar o olhar, pode-se ver o fim dessa selva de pedras.|O limiteslideshow_horizonte_05.jpg|Mas a cidade atual transbordou. Ainda assim, do ponto mais alto de Munique, na Alemanha, pode-se ver o que parece o limite da cidade. E a palavra “horizonte” vem do grego antigo e quer dizer “limitar”. O limite da cidade é o limite do olhar: o horizonte. E tudo o que ele parece prometer para nós, doidos pelo seu mistério. Pois como escreveu o ficcionista Rubens Figueiredo, “só um louco pode supor que o céu tem o tamanho dos seus olhos”.|