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Seu Carlos se diverte com a fama que a lojinha do velho maluco tem nas redondezas. No caso, o velho maluco é ele mesmo. Junto à janela, passa o dia em meio a lixas, motores, massa, pincéis, verniz e tintas de várias cores. Com esses instrumentos, as mãos precisas do restaurador conseguem o que muitas vezes parece impossível: fazer o tempo voltar. Em seu ateliê, um outro ritmo se instaura. Afinal, a xicrinha tem que aguardar que a cola seque por completo em sua asa. E também demora um pouco até que se resgate a verdadeira forma do vaso de porcelana transformado num mosaico de cacos desde que espatifou no chão, dias antes. Você vai jogar no lixo uma coisa que envolve tanta história e carinho?, diz, sorrindo. Há mais de dez anos, o artista plástico Carlos Mazza resolveu aprender, na prática, o ofício da restauração. Cuidado, paciência, perseverança e um pouco de habilidade para desenhar são importantes. Mas descobriu também que isso não era tudo: seu Carlos, por exemplo, nunca nega um dedo de prosa com uma cliente antiga que está precisando conversar. É que, junto com os objetos que as pessoas trazem para recuperar, vêm também suas histórias de vida, os acidentes de percurso, as lembranças renovadas. Estas sim, peças únicas.
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