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Tom natural

Conheça as resenhas que já publicamos de suas obras, as personalidades que foram marcadas por suas músicas e sites onde você sabe mais sobre a vida e a obra de Antônio Carlos Jobim, o criador de belezas eternas da música brasileira

CDs

Stone Flower, CTI
Em tempos em que o próprio CD já está quase aposentado, ainda tem muita gente que gosta mesmo é de ouvir música nos velhos bolachões de vinil. Fazendo coro entre os fãs do formato, há os que dizem que o som é incomparável. Naturalmente, é uma questão de gosto, mas o fato é que, para alguns, a sonoridade limpa, comprimida e digitalizada dos CDs (e MP3) não chega aos pés do som do formato analógico de gravação, que é mais amplo, com graves e agudos mais claros – e que às vezes é acompanhado de chiados, claro. Bom para se ouvir todas as nuances de um disco tão bonito quanto este Stone Flower, de 1970, destaque na discografia de Tom Jobim. O disco é quase todo instrumental, cheio de arranjos aveludados. O LP ainda trazia uma bela foto do perfil do Tom que só poderia ser vista completamente quando se abria o disco em dois. Procure nos sebos e compre dois – um para ouvir na vitrola e guardar na estante, outro para enquadrar e pendurar na parede. Destaque do mês em dezembro de 2005.

Antonio Carlos Jobim em Minas ao Vivo, Biscoito Fino
Maior compositor da música brasileira dos últimos 50 anos, Tom Jobim era também excelente pianista e cantor sensível. Apesar de ter começado a cantar e se apresentar ao vivo relativamente tarde em sua carreira, deixou registrados alguns momentos históricos. E agora, estreando o novo selo Jobim Biscoito Fino – totalmente dedicado à obra de Tom –, este álbum traz um histórico show realizado em 1981 em Minas Gerais, onde Tom canta, acompanhado somente de seu piano, 18 composições, suas ou em parceria com gente como Vinicius de Moraes e Chico Buarque. Com histórias deliciosas contadas entre as músicas, este é um disco tão delicado que ouvimos a respiração de Tom enquanto ele toca piano e sentimos sua hesitação ou decisão em momentos de solo. Ao fim, é impressionante ver como cada uma de suas canções faz parte de nossas vidas e ainda é capaz de nos emocionar, mesmo depois de já as termos ouvido tantas e tantas vezes. Destaque do mês em dezembro de 2005.

Elis & Tom, Elis Regina e Tom Jobim, Trama
Elis realizou um sonho antigo ao fazer este disco: dedicá-lo a Tom Jobim e com participação do próprio, que na época morava em Nova York. Foi para lá e gravou um dos discos mais belos da música brasileira. Estão ali, por exemplo, as versões clássicas de “Águas de Março” e “Só Tinha de Ser com Você”. E agora, exatamente 30 anos depois, o disco volta às lojas com faixas bônus e o tratamento que sempre mereceu, em duas novas brilhantes mixagens: uma delas em estéreo, em CD, e outra em DVD áudio, perfeito para quem tem home theater. Mas o melhor mesmo é a chance de ouvir novos detalhes que não estavam no LP original, como o suspiro de Elis ao final de “O Que Tinha de Ser” – de tirar o fôlego de tão emocionante. Ou os solos dos músicos ao final de algumas canções, originalmente editadas, mas aqui em suas versões integrais. Sim, este disco é tão clássico quanto dizem. Se você ainda não conhece, não há hora melhor. Publicado em novembro de 2004

Livro

Meu Querido Jardim Botânico, Tom Jobim e Zeka Araújo, Jobim Music, 143 páginas
Há 18 anos, o fotojornalista carioca Zeka Araújo marcou com o maestro Antônio Carlos Jobim uma sessão de fotos no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. As imagens foram feitas para uma reportagem do Jornal do Brasil. Tom esperava o fotógrafo embaixo de uma árvore frondosa, tocando um piano infantil. Fumava um Havana enorme e tinha ao seu lado um binóculo. Do encontro, veio a inspiração de fazer uma homenagem ao lugar – que resultou num livro publicado em 1987, que agora ganha uma reedição com fotos inéditas. Junto às imagens, estão reproduções de manuscritos de Tom Jobim. São cartas enviadas em viagem a um certo amigo, ao “Meu Amigo Jardim Botânico”, com declarações de amor desmedido pelo lugar e seus encantos – aqui revelados por Tom em textos curtos e rabiscados que falam dos movimentos sutis dos animais e dos variados tons de cores da vegetação acolhedora do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Publicado em setembro de 2005

Tom Jobim, autor de uma música da vida para...

- Emílio Santiago

Qual é a sua?
Certamente, a música mais bonita que conheço é “Eu Sei que Vou Te Amar”, do Tom Jobim e do Vinicius.

Quando ouviu?
A primeira vez que ouvi foi em meados dos anos 60. Nem me lembro de quem cantava na época. Essa música tem muitas versões bonitas. Eu mesmo canto, até hoje essa canção está sempre presente no meu repertório, em todos os meus shows.

Por que é especial?
Primeiro, porque ela tem uma harmonia e uma melodia fantásticas. Segundo, porque a letra é lindíssima, fala de uma maneira muito especial sobre o amor. Exprime perfeitamente a sensação da paixão. É uma música para o resto da vida – você pode ouvi-la daqui a dez, 20, 30 anos que vai ter o mesmo sentido, o mesmo valor. Uma música eterna, sobre um amor eterno.

Uma bela versão de “Eu Sei que Vou Te Amar”, gravada ao vivo por Tom Jobim em 1990, está no CD Tom Canta Vinicius, lançado em 2000, pela gravadora Universal.

Emílio Santiago é cantor

- Francis Hime

Qual é a sua?
Uma música que me deu um susto danado quando ouvi foi “A Felicidade”, do Tom Jobim e do Vinicius de Moraes, cantada pelo Agostinho dos Santos, uma das primeiras canções da bossa nova.

Quando ouviu?
Ouvi a música pela primeira vez no rádio, muito longe do Brasil. Foi em 1957, quando estava estudando na Europa.

Por que é especial?
Essa canção me impressionou muito porque trazia uma nova proposta de estilo de música: era outra batida, outra harmonia, outro tipo de letra. Era a bossa nova em plena efervescência. Quando ouvi a música foi aquele choque. Eu só conseguia pensar: “Nossa, que maravilha! Agora está na hora de voltar para o Brasil”.

A versão original de “A Felicidade”, com Agostinho dos Santos, foi lançada na trilha do filme Orfeu do Carnaval, que está fora de catálogo. Pode ser encontrada atualmente na compilação Pérolas (Somlivre).

Francis Hime é músico

- Luiza Brunet

Qual é a sua?
Uma canção de que eu gosto muito é “Luiza”, do Tom Jobim, com ele próprio cantando. Eu me lembro de quando a escutei, há bastante tempo, e ela me toca até hoje.

Quando ouviu?
Eu ouvi pela primeira vez quando foi lançada, no começo dos anos 80. Ela foi feita para ser a música tema da novela das 8 chamada Brilhante. A personagem principal, que se chamava Luiza, era interpretada pela atriz Vera Fischer.

Por que é especial?
Acho a letra linda e a melodia é maravilhosa. Adoro o trecho da letra em que ele diz “vem cá, Luiza, me dá tua mão, o teu desejo é sempre o meu desejo”. Sempre que a escuto fico emocionada. Legal que existe essa coincidência com o meu nome, mas nem foi isso que me fez gostar tanto dela.

A versão original de "Luiza", cantada por Antonio Carlos Jobim, foi lançada na trilha da novela Brilhante, de 1981, e pode ser encontrada no álbum Passarim, de 1987

Luiza Brunet é ex-modelo e empresária

- Nelson Motta

Qual é a sua?
Sem dúvida, a música mais especial da minha vida é “Chega de Saudade”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, na interpretação do João Gilberto, que foi o que me fez começar a me ligar no mundo da música.

Quando ouviu?
Ouvi pela primeira vez em 1958, em São Paulo, quando tinha 14 anos e estava de férias. Escutei em um radinho de pilha, que, aliás, tinha começado a aparecer naquele ano. Depois comprei o disco e pude ouvir mais vezes.

Por que é especial?
Antes de ouvir João Gilberto eu não dava bola para música, minha turma se ligava mais em futebol e outras coisas. Mas quando eu escutei pela primeira vez “Chega de Saudade”, tudo mudou. Depois disso é que eu fui conhecer pessoas que gostavam de música. Além disso, essa canção foi um marco da bossa nova. Acho que todas as pessoas da minha geração sabem dizer onde estavam e quando ouviram a canção pela primeira vez – é impossível não ficar fascinado por ela.

Uma versão recente de “Chega de Saudade” com João Gilberto pode ser encontrada no álbum João Voz e Violão, lançado pela Universal em 1999.

Nelson Motta é escritor e produtor artístico.

- Washington Olivetto

Qual é a sua?
A música da minha vida não é necessariamente a música de que eu mais gosto, certo? Porque Tom Jobim é a trilha sonora do mundo. Ouvi Tom Jobim em Xangai, em Bangcoc, em Paris então nem se fala. E a música da minha vida não é “Águas de Março”, mas “Tropicália”, de Caetano Veloso.

Quando ouviu?
Eu tinha 16 anos e não conseguia verbalizar um monte de coisas que vinha pensando. “Tropicália” materializou tudo aquilo. Eu tive uma formação musical e pessoal que me permitia ouvir Charlie Parker e Chet Baker com o mesmo prazer com que ouvia Bienvenido Granda, Rolling Stones ou Tom Jobim. Até então, isso era visto pela minha turma como algo bem estranho.

Por que é especial?
A capacidade de fazer essa síntese toda. A construção lírica totalmente diferente do que havia até então. O arranjo do Júlio Medaglia. Aquelas referências ao Brasil (na introdução declamada citando Pero Vaz Caminha e durante toda a letra). Uma loucura.

“Tropicália”, de Caetano Veloso, foi lançada em 1968 no LP Caetano Veloso (Universal Music), que permanece em catálogo


Sites

Saiba mais sobre a vida e a obra de Antônio Carlos Jobim, o criador de belezas eternas da música brasileira

www2.uol.com.br/tomjobim/index_flash.htm
Site oficial, com vastas informações biográficas e recursos para quem deseja conhecer a obra de Tom.

www.jobim.com.br/
Site Clube do Tom, mantido por admiradores do compositor. Bastante informativo.

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