slideshow_alcantara_01.jpg|Depois de cruzar o mar por cerca de uma hora desde São Luís do Maranhão, é esta uma das primeiras imagens que se tem de Alcântara. Uma cidade lá no alto que nos conclama a desvendar seus mistérios. Para chegar ao vilarejo é preciso subir a Ladeira do Jacaré. A cada passo, a sensação de que o tempo correu por ali, seja pelo chão de pedras coloniais, seja pelas antigas casas coloridas ou pelas ruínas, algumas de construções inacabadas, que preservam nas formas uma época de luxo que se foi para sempre. A decadência perambula pelas ruas por onde os turistas andam apressados para pegar a barca de volta à atualidade. Mas quem passa a noite ali percebe que Alcântara é muito mais do que um cenário do passado. É como se a cidade aceitasse, não de forma passiva, mas serena, as intervenções dos séculos, as voltas da história, as coisas que se vão ou as que nunca aconteceram. “É um lugar que poderia ter sido mas não foi, e por isso mesmo acabou sendo o que é”, diz a fotógrafa Andrea D’Amato.|slideshow_alcantara_02.jpg|No período colonial, Alcântara foi a capital da aristocracia maranhense. As plantações de algodão e cana-de-açúcar geravam o farto sustento das famílias, que importavam modas e costumes da Europa. Os casarões da cidade abrigavam bailes e saraus enquanto os filhos dos senhores de engenho voltavam dos estudos no exterior. Uma suposta visita de dom Pedro II ao Maranhão iniciou uma guerra entre duas famílias de poderosos locais. Cada uma começou a construir um palacete para receber o imperador (que nunca pisou na cidade). Uma visita que era para ser, mas não foi.|Reduto da Eliteslideshow_alcantara_03.jpg|O declínio econômico chegou no fim do século 19 e fez com que a elite deixasse a cidade. Para a aristocracia maranhense, Alcântara nunca mais aconteceu, ficou lá, perdida. Os negros libertos da escravidão se apropriaram da cidade como se ela fosse uma carcaça à espera do movimento que voltaria a lhe dar vida.|slideshow_alcantara_04.jpg|A Festa do Divino Espírito Santo é o momento em que Alcântara renasce. Todo ano, 50 dias após a Páscoa, a população sai às ruas repletas de turistas para celebrar o Pentecostes.|Sangue negroslideshow_alcantara_05.jpg|De origem católica, o ritual baila entre o sagrado e o profano. A cada batida dos tambores, a cidade pulsa. Rendas, véus e bordados lembram os tempos de riqueza. Mas não é no passado de fartura nem no futuro apontado pela base espacial brasileira instalada no município que Alcântara encontra sua essência. O que fica é a sensualidade dos rituais africanos, como o tambor de crioula, a alegria da criançada a grudar nas pernas dos turistas que desembarcam no porto, a alma negra – maior que qualquer riqueza que tenha existido.|