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Quem vê não acredita: em uma mesma sala uma revoada de pássaros, um trem a vapor, uma cachoeira de águas cristalinas e cavalos a galope. Isso para não dizer tantas outras coisas que, em poucos acordes, aparecem na imaginação de quem vai assistir a um concerto de música clássica. Sim, é possível enxergar tudo aquilo que lhe parecer real em uma audição, mesmo de olhos bem fechados. Esta pequena lição aprendi com meu pai, que sempre teve nas orquestras e nos seus repertórios a senha de acesso ao mundo da fantasia. Foi ao seu lado, que, pela primeira vez, viajei sem sair do lugar. Não me lembro mais qual era a música, nem o nome do compositor, mas sinto até hoje o vento no rosto, a agitação no meio da vegetação, a emoção daquela cavalgada pela floresta. Eu e ele, dois heróis de outro tempo-espaço, em uma marcha triunfante. Tomei gosto pelo programa. E passei boa parte da minha infância desbravando novas terras, mergulhando em calmas águas, voando em tapetes mágicos, vivenciando muitas outras aventuras. Sempre em sinfonia com meu pai. Hoje, quando quero me reencontrar com aquele menino que sabia e tinha coragem de voar, vou a um concerto, me sento e fecho os olhos.
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