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Sopre esta página. Imagine então que começa uma dança alegre e delicada. Todo o conjunto se move, impulsionando as pétalas vermelhas bem na sua direção. Você recua um passo e abre espaço para o espreguiçar da estrutura. “Se uma pessoa não conseguir imaginar coisas, não as consegue fazer, e qualquer coisa que se imagine é real”. Esta frase é do artista americano Alexander Calder (1898-1976) que, na década de 30, inventou o impensável: libertou a escultura do peso de materiais nobres e da pompa do pedestal e dotou-a de leveza, cores e, pimba!, movimento. Com a eterna camisa vermelha e alicate sempre a postos, Calder saía retorcendo pedaços de arame, latinhas e sucatas. Presenteava a quem estivesse por perto. Traquitanas que inicialmente eram controladas por pequenos motores elétricos ou manivelas, passaram a ser regidas pela brisa ou pelo toque de dedos curiosos. Pronto: um móbile nascia. Delicada estrutura que, uma vez desperta de seu repouso, inicia um suave trajeto, contínuo e imprevisível. Arte que não se apreende no flash de um olhar apressado, mas que só existe e faz sentido no desenrolar do tempo no espaço. Que pede nossa atenção, para acompanhar o divertido bailado bem diante dos nossos olhos.
Exposição:
• Calder e o Brasil, Pinacoteca do Estado, São Paulo. De 24 de agosto a 15 de outubro, terça a domingo, das 10hs às 18hs.
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