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Tunísia

por Priscilla Santos
fotos Iara Venanzi

slideshow_tunisia_01.jpg|O calor e o vento seco, carregado de areia, anunciam a entrada do deserto do Saara.Uma amplitude quase infinita, um horizonte que parece não acabar nunca e preenche um terço da Tunísia, pequeno país encravado no norte da África. Antes de se chegar ao Saara é preciso atravessar a aridez de um deserto de pedra e se deixar invadir por sensações que ganham intensidade conforme avança o caminho. “A dimensão da luz, dos panos que as pessoas vestem, dos cheiros dos chás, dos temperos, damascos, tâmaras, perfumes e canelas. É tudo muito envolvente, mágico”, diz a fotógrafa Iara Venanzi, que percorreu o país em 1998.| slideshow_tunisia_02.jpg|O homem à direta é um tipo comum na região. De camelo, à pé, do que for, os comerciantes chegam aos mercados a céu aberto para trocar e vender uma fartura de produtos locais. Levam o que têm, uma cabra, um bode, um maço de açafrão. Os mercados representam a abundância em meio a uma paisagem contida, avarenta nas cores. O deserto tende ao marrom, ao tom de areia: as casas, os animais, os turbantes, as pessoas. Quase um mimetismo, assim como toda a Tunísia, um lugar onde as cores parecem escorrer da natureza e tingir tudo o que encontram pela frente.| slideshow_tunisia_03.jpg|O território da atual Tunísia já serviu de palco para verdadeiras epopéias. Nas proximidades de Túnis, a capital do país, estão as ruínas de Cartago, maior potência naval do século 3 a.C. Fundada pelos fenícios cerca de cinco séculos antes, no auge do poder seus domínios se estenderam por todo o norte africano, da Líbia ao estreito de Gibraltar, pelo sul da Espanha e pelas ilhas de Córsega e Sardenha. A cidade portuária de Cartago foi arrasada pelo Império Romano durante a Terceira Guerra Púnica (de 149 a 146 a.C.). Sítios históricos romanos, bizantinos, árabes e outros ocupam o território do país que, devido a sua localização geográfica, sempre foi um entreposto comercial.|Marcas da história slideshow_tunisia_04.jpg|Entre tantas influências, uma das mais presentes é a do islamismo, que varreu o país como um vento originário da Arábia e se perpetuou graças à fé e à arquitetura caprichosa. As formas dos arcos, cúpulas e abóbadas das mesquitas alcançam as residências. Muitas delas construídas em torno de um pátio central comunitário onde os familiares que habitam cada casa se encontram para comer e conversar sobre os finos tapetes, tradicionais da região.| slideshow_tunisia_05.jpg|Nas cidades litorâneas, o azul do mar inunda as portas e janelas,enquanto o branco caiado típico da arquitetura mediterrânea ilumina as casas e prédios baixos que se espremem nas ruelas. As medinas – antigas cidades cercadas por muros, com comércio e moradias – são como labirintos, com intermináveis corredores e portas onde é fácil se perder.|Azul e branco slideshow_tunisia_06.jpg|A cidade apertada é questão de sobrevivência, na verdade. Os muros e passagens tortuosas protegem contra as tempestades de areia, os ventos e as invasões – agora, apenas nos registros históricos e na memória ancestral. Caminhar por ali equivale a uma descoberta constante. “Só do alto você entende a cidade, enxerga as vielas, as casas quadradas com terraços repletos de varais”, diz Iara. O alento vem do mar, avistado por quem escala qualquer ponto mais alto para imaginar o que pode estar guardado do outro lado da montanha.| slideshow_tunisia_07.jpg|Algumas cidades estão tão conservadas que mais parecem cenários. E a Tunísia já serviu mesmo de locação para filmes como O Paciente Inglês e Guerra nas Estrelas. Mas o país tem é a perfeita atmosfera “Ali Babá e os 40 ladrões”, pelo aroma de frutas secas, mercados a céu aberto e tropas de comerciantes montados em dromedários.|Cidade-cenário slideshow_tunisia_08.jpg|A mulher no fim da passagem está vestida de forma tradicional. A Tunísia é conhecida por praticar um islamismo brando. Não há obrigação de se usar a burca, mas nas pequenas cidades do interior o hábito está tão intacto quanto as construções do passado. Túneis que conduzem outra vez ao deserto. A areia adere às paredes e dá corpo a construções monocromáticas habitadas por um povo cheio de nuances.|
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