slideshow_liguria_01.jpg|Do alto de uma montanha o fotógrafo paulistano Lalo de Almeida produziu
a imagem que registra, de uma só vez, muitos dos encantos da Ligúria para ele: um lugar, espremido entre as montanhas do Piemonte e o mar Adriático, ao norte da Itália, onde é possível ver o mar mesmo quando não se está no litoral, devido à altitude da região. Gentilezas da geografia. Um lugar que guarda as raízes de sua família, terra natal de sua mãe, que veio para o Brasil ainda em seus primeiros anos de vida, e de Nadia, sua mulher. Ali vivem seus sogros, donos da pequena propriedade agrícola de onde, embebido pelo familiar aroma das uvas, Lalo enquadrou esta imagem e eternizou a relação entre passado e presente. As sombras que se vêem lá embaixo são do vilarejo de Bussana Vecchia, que um dia chamou-se apenas Bussana, até que veio um terremoto e pôs quase tudo abaixo.
Os sobreviventes desceram para mais perto do mar e construíram uma nova Bussana. Na década de 60, os hippies ocuparam as ruínas da antiga cidadela. Olhando de longe, parecem apenas ruínas, mas quem se aproxima reconhece a esparsa ocupação, que dá vida ao que parecia somente história.|slideshow_liguria_02.jpg|Flores, azeite e vinhos. A Ligúria se divide em duas regiões de acordo com o movimento do sol: Levante, onde ele nasce, e Ponente, onde se põe, estando Gênova, a capital, justo no meio. A província é inteira de penhascos, não existem terrenos planos. Por isso, as propriedades são repartidas em terraços, que servem à principal atividade econômica: a agricultura. O intenso cultivo de flores rendeu à região o título de Riviera dei Fiori, ou Costa das Flores. A produção de azeite também se destaca, no país das finas iguarias mediterrâneas. Até os 40 anos de idade, o sogro de Lalo tinha, com o pai, uma fábrica de cones de sorvetes.|slideshow_liguria_03.jpg|Mas resolveu largar tudo para se tornar auto-subsistente. Nas pequenas propriedades onde a família produz vinho e azeite para venda, também planta quase tudo o que come. Por princípio, só compram o estritamente necessário. Tomates, aspargos, alcachofras e pêssegos, muitas vezes em conserva, pois nem tudo dá o ano inteiro, realçam o gosto dos almoços de família. “A comida para os italianos é quase uma religião”, diz Lalo.|slideshow_liguria_04.jpg|Faz-de-conta. Por seu clima ameno até mesmo no inverno, o litoral da Ligúria tornou-se um grande balneário de turistas de todas as partes da Europa. Porém, o que atrai é uma Ligúria ainda pouco explorada que se esconde entre as montanhas. São vilarejos interioranos, em sua maioria medievais, que surgem no fim da curva de pequenas e sinuosas estradas. Lugares em que o tempo parece não ter passado, com sua intensa capacidade de transformação. Meio povoados, meio
abandonados. Parecem mais maquetes, miragens, presépios. Ruelas e becos, muitos deles inacessíveis à civilização do automóvel.|slideshow_liguria_05.jpg|Pequenos labirintos que começam e terminam com uma capela na praça principal. Mesmo não sendo mais inesperados, seguem surpreendentes, como as histórias de faz-de-conta. “Por mais que eu já conheça esses lugares, por ter parte da família ali e sempre passear muito, toda vez que entro num vilarejo desses me dá a mesma impressão: cadê Romeu e Julieta, cadê a bruxa?”, diz Lalo. “As sensações se repetem, o encanto não se perde.”|slideshow_liguria_06.jpg|Também encanta o valor da tradição para o povo da Ligúria. Cada colheita de azeitonas, cada maço de flor a enfeitar uma janela, cada vinho degustado à mesa após ser manufaturado no quintal merece ser comemorado. “As pessoas têm uma ligação com o lugar, um vínculo com a terra, com os cheiros e os sabores que, de certa forma, me emociona. Às vezes também fico em busca dessas raízes”, diz ele. Quando, ainda bem pequena, a mãe do fotógrafo migrou para o Brasil, provavelmente não imaginou que um dia teria um filho que iria estudar fotografia em Milão e lá conheceria uma italiana da Ligúria. Que ele se casaria com ela e teria duas filhas. E que outro dia, anos depois, uma delas correria livremente pelos pórticos da pequena cidade de Imperia, assim como correm as tradições de pai para filho. Ou assim como corre o tempo – agora em direção ao futuro.|Geografia da almaslideshow_liguria_07.jpg|Mapa da Itália|slideshow_liguria_08.jpg|Ampliação do mapa, com a localização das cidades.|slideshow_liguria_09.jpg|Cidade medieval onde o escritor italiano Italo Calvino costumava passar as férias. Cravada numa encosta, a 900 metros de altitude, pertenceu ao feudo de Ventimiglia de 1259 a 1625, quando foi reconquistada pela República. É definida como uma generosa janela com vista para o Vale Nervia e os Alpes Liguri.|Baiardoslideshow_liguria_10.jpg|Pertencente ao município de Imperia e localizada na rocha de San Nicolá, no meio do Valle Argentina, a comuna medieval é repleta de casas de pedra e ruas estreitas. O trecho habitado parte de um antigo castelo, agora transformado em igreja.|Badallucoslideshow_liguria_11.jpg|Passou a pertencer ao feudo de Ventimiglia, como Baiardo, no final do século XI. Em meados do século XIII foi conquistada por Oberto Doria. O castelo da foto foi residência oficial da família Doria, que acabou o abandonando, após muitas guerras vividas pela cidade, para viver na igreja paroquial por volta de 1748. Saiba mais no www.dolceacqua.it|Dolceacquaslideshow_liguria_12.jpg|Na zona rural de Diano Marina, pertencente à Imperia, uma capela e uma casa (atrás) abandonadas pelos habitantes e pelo tempo. Volta e meia, alguém aparece para colher as azeitonas que seguem a brotar. Como os jovens querem ir para as cidades maiores, onde há mais agitação, regiões como esta são habitadas, em sua maioria, por idosos que ainda trabalham na agricultura. Saiba mais no www.comune.diano-marina.imperia.it|Diano Marinaslideshow_liguria_13.jpg|Mais um vilarejo medieval pertencente à Imperia, virado para um mar de águas límpidas e rico em algas e peixes. Seus habitantes seguem fielmente a dieta mediterrânea, que se ancora no azeite de oliva feito pela tradicional técnica de prensar as azeitonas a frio, para depois cozinhar o pescado fresco. Na foto, o registro de um festejo gastronômico. As crianças são vestidas como na Idade Média e todos os rituais acerca da comida remontam àquela época.|Cervo