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Da garrafa

Cidadania num veleiro de plástico

por Leandro Narloch

Garrafas de plástico entopem bueiros, poluem rios e demoram 40 anos para sumir na natureza. E mais um detalhe: elas bóiam. O empresário paulista Eduardo Pereira de Carvalho se deu conta disso há cinco anos, quando fazia rapel numa cachoeira em Brotas (SP). “Foi triste ver as garrafas sujando o rio, mas fiquei impressionado de ver como elas boiavam mesmo quase cheias de água.” O interesse pelo material virou um veleiro. Isso mesmo: um flutuante feito de 2 040 garrafas de refrigerante. Com seu catamarã feito de lixo reciclado, Eduardo largou a rotina dos negócios em São Paulo, foi atrás de patrocínio e navegou 1 400 quilômetros no rio São Francisco. A epopéia começou em dezembro do ano passado, a partir da nascente do “Velho Chico”, em Minas Gerais. Foram 28 dias navegando até Petrolina (PE), em três rios diferentes (o São Francisco de águas cristalinas na nascente, outro com lama na Bahia e o de águas verdes na represa de Sobradinho). Eduardo agora se prepara para a próxima expedição, no rio Paraná ou no Araguaia. A idéia é a mesma: por onde passar, fará palestras sobre reciclagem e oficinas de construção de brinquedos com a garrafa, mostrando que é possível dar um outro destino às 400 mil garrafas de plástico polietileno (PET) que o Brasil produz todo ano.

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