slideshow_janelas_01.jpg|Elas escancaram o íntimo e o público, a casa e a rua. E ajudam a contar histórias do cotidiano em todo o mundo|slideshow_janelas_02.jpg|anelas são molduras dos acontecimentos. Testemunham o tempo e a vida que corre por fora e por dentro. Mostram e escondem. Quando abertas, fazem a conexão da casa com a vida lá fora. Fechadas, preservam o lar do frio e dos olhares externos. Ainda assim, sempre deixam escapar detalhes, como um vaso de flor ou uma garrafa de cafés. “No fundo, todo mundo quer saber o que há por trás da janela. Quem são as pessoas que moram ali, como é a vida delas. Tem mais a ver com imaginário que com intromissão”, diz a autora das imagens deste ensaio, a fotógrafa paulista Iara Venanzi, que percorreu mais de 70 países em 28 anos de carreira e registrou janelas e suas micronarrativas. Quando se abre a cortina, cada uma delas conta sua história.|slideshow_janelas_03.jpg|As janelas muitas vezes são a face mais visível da arquitetura característica de cada lugar. Ou pelo menos a que apresenta o lado mais humano.O desenho de uma fachada serve de passagem para as origens culturais e a história de quem habita cada casa. Diz também muito sobre a geografia e até mesmo o clima de cada paragem. Apenas uma portinhola aberta de uma janela inteira serve de respiro para a casa russa, que só precisa de um pouco de ar enquanto o “General Inverno” insiste em invadir os seus domínios.|História que se abreslideshow_janelas_04.jpg|Um encontro entre o público e o privado marcado ali, em frente a um apartamento qualquer. A curiosidade dos passantes ora aumenta, ora diminui com tamanha exposição. Agora não é mais quem está fora que olha para dentro, e sim quem está dentro que se coloca para fora. É a intimidade atirada pela janela, num varal de peças cotidianas. Em outra, toalhas, camisetas, meias e calças, espontaneamente, se transformam numa crônica da vida privada. Para alguns, comédia; para outros, poesia.|De dentro para foraslideshow_janelas_05.jpg|O dramaturgo Nelson Rodrigues disse que a televisão matou a janela. Mas nas esquinas do mundo ainda há muitos “janeleiros”. São pessoas que deixam escorrer os minutos apenas contemplando o que se passa lá fora. Assim, recolhem os aromas do vento, a brisa da árvore a balançar, a conversa que vem de longe. As janelas dão sinais do tempo. Tomam chuva, sereno, quase morrem de calor em verões escaldantes. Envelhecem e tentam rejuvenescer com uma breve reforma. Quando a cruz de papel foi colocada para dar as boas-vindas a todos os santos, era farta em cor. Foi desbotando até ganhar o tom exato de tudo aquilo que transborda história.|