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Já ouvi muita gente dizer “sem palavras” numa situação de grande contentamento. Mas ser privado delas muitas vezes não tem nada a ver com êxtase, não. Palavras, essas unidades mínimas de som e significado, traduzem pensamentos. Sem elas, ficamos incomunicáveis. É a maior solidão. Por isso, eu adoro jogos de palavras: forca, stop e, meu predileto, as cruzadinhas. Elas foram inventadas em 1913 pelo jornalista Arthur Wynne, um visionário. Seu primeiro diagrama tinha forma de diamante e trazia como dica a palavra fun – “divertimento”, em inglês. Profético, não? “É um passatempo que sempre nos coloca em contato com assuntos novos”, elogia o empresário Rubens Dutra e Silva, de 45 anos, que desvenda charadas vocabulares desde criança. “Exagerando um bocado, é uma maneira de pessoas comuns experimentarem o que um gênio deve sentir ao fazer uma descoberta.” Não é tanto exagero assim, Rubens. “Preencher palavras cruzadas fortalece a memória e estimula a inteligência”, garante a psicóloga Valéria Lasca. Então, na próxima vez que ficar sem palavras, esforce-se um pouquinho para explicar o que você está sentindo. Pode ser, por exemplo, um arroubo súbito e profundo com 13 letras – arrebatamento!
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