![]() |
![]() |
“A língua portuguesa, aqui no Brasil, está uma vergonha e uma miséria. Está descalça e despenteada. É preciso distendê-la, destorcê-la, obrigá-la a fazer ginástica, desenvolver-lhe músculos. Dar-lhe precisão, exatidão, agudeza, plasticidade, calado, motores. E é preciso refundi-la no tacho, mexendo muitas horas.” Quase 60 anos depois de Guimarães Rosa ter escrito essa frase em uma carta datada de 1947, finalmente surge uma “academia” para exercitar o português. O primeiro museu dedicado à língua é a Estação da Luz da Nossa Língua, conhecida como Museu da Língua Portuguesa, com inauguração prevista para o mês de março, em São Paulo. Exposições temporárias e espaços fixos mostram a evolução do idioma – do latim às gírias modernas –, recuperando a etimologia das palavras e conferindo o merecido brilho à língua, exaltada na voz de falantes famosos como Chico Buarque e Zélia Duncan. A estrela da primeira exposição temporária do museu, não por acaso, é Guimarães Rosa. Em um espaço de 480 metros quadrados, o museu expõe uma das três versões originais da obra-prima Grande Sertão: Veredas, com anotações de próprio punho de Guimarães – dá até para ver o título original pensado pelo autor, “Veredas Mortas”, riscado. A exposição sobre Guimarães Rosa ocupa o primeiro andar do prédio – os outros andares têm auditório, galeria, telas e atrações interativas. Até o elevador, batizado de “Árvore da Língua”, remete ao português. O projeto prevê ainda a capacitação de professores de literatura, artes, geografia, história e – claro – português.
Conheça a edição deste mês folheando a revista aqui no site
Destaques da edição
Edições anteriores
Assine a revista
Folheie a edição