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O professor Gilberto Barbosa é o primeiro a chegar. Vestindo calça jeans, camisa branca, cabelos penteados, ele me cumprimenta, gentil. Logo em seguida, chega a médica Diva Spirandelli, muito elegante, usando um terninho preto e salto alto.Ao seu lado, vejo uma senhora loira, de olhos verdes, distinta, próximo à psicóloga Mara Maldaun, que usa óculos e tem um ar mais intelectual. São pessoas com profissões, formações e interesses completamente diferentes, que, naquela segunda-feira chuvosa de São Paulo, cantavam músicas singelas louvando o amor a Deus. E eu me perguntava quem seria o elo entre elas. A resposta veio rápido: um homem franzino, que usa túnicas cor-de-laranja e é capaz de promover verdadeiras revoluções na alma de cerca de 100 milhões de adeptos em todo o mundo. Seu nome: Sathya Sai Baba.
Aos 13 anos, foi picado por um escorpião negro e entrou num estranho estado de introspecção.No dia seguinte ao recobrar a consciência, anunciou ser Sathya Sai Baba, a nova encarnação de Shirdi Sai Baba, um dos maiores santos do norte da Índia, respeitado tanto pelos hindus quanto pelos muçulmanos, morto oito anos antes.
Pouco tempo depois, o jovem Sai Baba já atraía multidões no sul da Índia. Era conhecido como o homem dos milagres. Para seus adeptos, Sai Baba cura, materializa objetos, lê pensamentos, pode estar em vários lugares ao mesmo tempo e, entre outras maravilhas, é capaz de penetrar nos sonhos das pessoas para transmitir mensagens espirituais a elas. Essa é, inclusive, uma de suas ações mais comuns, relatadas por muitos dos entrevistados com quem conversei.
Bene Catanante, psicóloga e professora em curso de pós-graduação do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo, teve uma experiência singular, não exatamente em um sonho, mas durante uma meditação. De repente, enquanto meditava, em silêncio, ouviu uma voz interna dizer: Sai Baba, por favor, me leve para a Índia. O extraordinário é que Bene não sabia quem era Sai Baba. Achou a frase tão estranha que resolveu ir atrás dessa história. Alguns dias depois, entrou timidamente numa livraria esotérica recém-inaugurada para perguntar se alguém o conhecia.
Na época (1990), Bene não tinha um tostão, nem para bilhete de metrô, quanto mais para passagem para a Índia. Mas, inesperadamente, foi convidada para dar um curso e estipulou o suficiente para uma passagem. Foi aceito o preço e alguns meses depois ela chegou a Prashanti Nilayam, a Morada da Paz Celestial, perto da aldeia onde nasceu Sai Baba. Teve um choque. Nunca vi um lugar tão bonito, rico e limpo, diz ela, que estava preparada para enfrentar lá dentro o quadro de miséria e carência encontrado fora dos portões do ashram. Teve também de vencer um certo preconceito: o aspecto físico peculiar de Sai Baba. Na minha cabeça, com todo respeito, ele parecia o cantor Agnaldo Timóteo, conta, sorrindo.
Não só para ela: muita gente não consegue ir além da imagem do guru. A figura de Sai Baba pode ser considerada o que a cultura indiana chama de escudo místico uma barreira que protege um ensinamento dos curiosos e inconseqüentes. É necessário ultrapassar a nós mesmos para encontrá-lo em sua divindade e amor, afirma Bene Catanante.
Sua intenção, diz, é abrir os corações para um mundo menos material e mais amoroso, onde prevalece o amor a Deus e a ajuda para quem sofre. Esse olhar amoroso se estende, inclusive, a outras religiões. Embora de tradição hinduísta, Sai Baba conserva em seu escudo religioso os símbolos das seis grandes tradições espirituais do mundo: judaísmo, cristianismo, islamismo, zoroastrismo, hinduísmo e budismo. Tem um grande apreço pelas palavras de Jesus e costuma comemorar o Natal com grandes festas. Seus quatro grandes ensinamentos são: só existe uma religião, a do amor; só existe uma linguagem, a do coração; só existe uma casta, a da Humanidade; só existe um Deus e ele é Onipresente.
Outra grande capacidade de Sai Baba, segundo afirmam seus devotos, é a cura de doenças. Presente, aliás, que não é concedido a todos. Foi o que aconteceu com José Hermógenes de Andrade Filho,o Professor Hermógenes, um dos grandes introdutores do ensino da ioga no Brasil e o responsável por ajudar a divulgar o ensinamento do mestre indiano no país. Ainda assim, teve de suportar, durante dez anos, a lenta degeneração da saúde de sua esposa,Maria, vítima do mal de Alzheimer.
Alguns amigos criticaram Sai Baba por não ter curado minha mulher. Mas posso dizer que esse tempo serviu para modificar e aperfeiçoar meu caráter. Pude aprender realmente o que é aceitação e tive a oportunidade de praticar o amor da maneira mais profunda que poderia conseguir, afirma, emocionado, o professor Hermógenes, hoje com 83 anos. Isto é, ele acredita que esse período de espera e cuidados desenvolveu sua capacidade espiritual até o máximo e sente-se profundamente grato por essa oportunidade. Para ele, isso foi mais importante do que um milagre.
Saúde e educação Sai Baba responde à devoção dos seus discípulos com obras grandiosas. Fez um hospital de superespecialidades, talvez o melhor e mais bem equipado da Ásia, que dá atendimento gratuito a milhares de indianos, além de outro, mais recente, onde a medicina (ocidental e oriental) é praticada com um excelente nível de qualidade.
Ele também fundou uma grande universidade e várias escolas e imaginou um programa educacional hoje aplicado em muitos países do mundo (inclusive o Brasil), que estimula a ética e valores como a paz e a solidariedade. Isso porque Sai Baba não deseja apenas seres humanos mais instruídos e bem informados; ele almeja uma humanidade mais generosa. Não existe boa educação sem o leite da bondade, diz ele. Uma de suas últimas obras é a implantação de um programa de distribuição de água potável no sul da Índia, que hoje abastece mais de 700 mil famílias. Tudo isso construído e sustentado com as doações de seus seguidores.
O mais difícil, porém, quando se fala de Sai Baba, é avaliar sua real dimensão. Porque ele diz ser nada mais, nada menos o próprio Deus. Ou, como é dito nas escrituras indianas, um avatar de Deus, a forma humana que a divindade emprega para estar entre os homens.
Na Índia, acredita-se que Deus se manifesta no mundo toda vez que a humanidade mergulha nas trevas e precisa de uma nova luz para alimentá- la. Krishna e Rama, entre outros, são considerados avatares que já estiveram entre nós, emanações divinas. Portanto, a cultura indiana admite a possibilidade de que Deus venha a esse planeta não apenas uma única vez (como se diz no cristianismo, por exemplo), mas sim todas as vezes que for necessário.Mais ainda: que todos nós somos formas e expressões de Deus e que não existe realmente nada que seja separado dele. Seguindo essa linha, não haveria nada de pretensioso em dizer que eu e você também somos Deus.
É verdade. É impossível julgar aqui a veracidade dos milagres atribuídos a Sai Baba ou se ele é realmente a encarnação de Deus. Mas não se pode questionar seu poder de despertar sentimentos positivos e transformadores em milhões de pessoas poder, aliás, somente conferido aos grandes líderes espirituais que passaram pela história. E, sem nenhuma sombra de dúvida, Sai Baba é um líder. Ele costuma dizer: Vim despertar o coração do homem e assim ajudá-lo a alcançar dentro dele a divindade. Se essa realmente for sua missão, que assim seja.
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www.saibababrasil.com.br - Projeto Sathya Sai Baba Brasil
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