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Ao notar que se aproximava a data em que cumpriria 80 anos, dona Josefa bateu o pé: não queria festa, só queria conhecer o mar. Para ela, nascida em Goiás e vivendo há 75 anos em Minas, mar era paisagem de filme e de foto, daquelas trazidas pelos parentes quando voltavam de férias. Passaram-se filhos, netos e até bisneta, e nada de ver essa maravilha que estampava os álbuns de sua família. Feito o pedido, os filhos nem titubearam. Dona Josefa rumou para Arraial D’Ajuda, na Bahia, acompanhada por um neto e uma filha. Ficou lá três dias, dos mais intensos de sua vida. Num deles, ela até arriscou uma entradinha na água. Molhou até o joelho. Mas houve uma manhã que marcou mais. “Acordei às 5 e meia para ver o sol nascer no mar. Abri a porta da varanda, devagarzinho pra não acordar os outros, e vi aquela cena mais linda. O mar parecia uma prata, com o sol em cima. Fiquei uma meia hora só olhando aquilo, emocionada com a beleza da natureza”. Dona Josefa nos lembra que, não importam os anos vividos, o mundo sempre tem algo a revelar. Sempre há o que ver, conhecer, sentir. E que o simples também pode ser belo, grandioso e nos fazer felizes. Foi o que senti ao escutar a voz de dona Josefa cheia de uma alegria que eu, sua neta, jamais havia ouvido.
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