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A comida do recreio é tão valiosa para a criança quanto ter os livros certos para estudar, sem exagero. Primeiro porque o lanche não é apenas um punhado de comida que a criança leva para a escola para enganar a fome: a merenda equivale a um quarto dos alimentos consumidos ao longo de um dia. Por esse motivo, deve ser tão equilibrada quanto qualquer outra refeição - pobre em gorduras e rica em proteínas, carboidratos e vitaminas. Mas não é só isso. O lanche também serve para a criança como uma aula sobre como comer melhor e se tornar um adulto de hábitos alimentares saudáveis. É consenso entre os nutricionistas que todas as pessoas deveriam fazer pelo menos cinco refeições diárias: café da manhã, lanche, almoço, lanche de novo e janta. Parece muita comida, mas o objetivo é comer um pouquinho de cada vez, para estar sempre bem alimentado e não exagerar no almoço ou jantar (é que comer uma montanha de comida nas duas principais refeições e não ingerir nada entre elas desequilibra o organismo). O lanche deve funcionar como uma dessas refeições, com uma exigência a mais: manter as crianças dispostas e atentas, afinal elas estão na escola para aprender. "O resultado de um bom lanche é que as crianças têm mais disposição para as atividades diárias, maior capacidade de aprendizado, controle da saciedade e prevenção de doenças da vida adulta, como colesterol alto", afirma Martha Fonseca Paschoa, nutricionista do colégio Dante Alighieri, localizado nos Jardins, em São Paulo.
Para começar, não dá para pensar na merenda sem levar em conta as outras refeições. Um bom café da manhã, por exemplo, é essencial para um dia bem nutrido. E ainda ajuda a criar bons hábitos alimentares, com a presença e vigilância dos pais. "Sem um bom café da manhã, a criança se empanturra na hora do recreio, porque está morrendo de fome, e no almoço está de estômago cheio e não quer comer. Aí se cria uma bola de neve: ela almoça mal, à tarde fica com fome e come um monte de tranqueiras e no jantar está sem apetite", diz a nutricionista Adriana Riga, do colégio I.L. Peretz, no bairro paulistano da Vila Mariana.
Outra coisa importante na hora de definir o tamanho do lanche é a personalidade da criança. Não há critérios objetivos, tipo uma porção ideal por faixa etária ou por peso. "Ela varia conforme a idade, a altura, o peso e as atividades da criança. Se ela é sedentária, seu metabolismo responde de uma maneira. Se for esportista, o organismo tem outro comportamento", afirma Adriana. Na falta de referências, a saída é prestar atenção em cada criança na hora das refeições. Além de conversar com os pediatras, os pais devem observar quanto seus filhos comem em casa e notar o que volta do lanche de ontem, para dimensionar a merenda de hoje. De quebra, a criança aprende a não desperdiçar alimentos.
Ok, você preparou um bom café da manhã e fez o lanche mais saudável do mundo. E agora seu filho diz que não gosta daquilo que está na lancheira, ou que não agüenta mais comer a mesma coisa na escola. Como fazer uma merenda saudável e de sucesso?
Para ajudar na tarefa, fomos conferir o que escolas preocupadas com a qualidade de alimentação dos alunos oferecem em suas lanchonetes e que podem servir de inspiração para você. A boa notícia é que as guloseimas das cantinas dos colégios já não competem mais com o conteúdo das lancheiras mais saudáveis. Em São Paulo, muitas escolas estão substituindo os doces e salgadinhos por comidas mais saudáveis. No geral, esses colégios baniram salgadinhos industrializados e sanduíches com recheios gordurosos e substituíram salgados fritos por assados. Além disso, dependendo da escola, os doces e os refrigerantes são proibidos ou têm sua venda desestimulada. No colégio Dante Alighieri, o aluno até pode comprar um chocolate (dos pequenos, com 30 gramas) ou uma lata de guaraná, mas eles não ficam expostos.
Outra novidade, no mesmo colégio paulistano, é o kit-lanche, elaborado por uma nutricionista. O cardápio mensal tem uma combinação diferente por dia, contendo um alimento salgado (minipão de queijo, mini-esfiha, enroladinho de pizza, sanduíches pequenos e folhados assados), uma fruta ou doce, um suco ou chá ou achocolatado. "Os pais recebem o cardápio e podem mudar até dez alimentos ou bebidas por mês. Mas ficamos atentos para as alterações e, se achamos que elas desbalanceiam a refeição, conversamos com eles", afirma Martha Paschoa, a nutricionista do colégio.
Para ajudar as mães no preparo do lanche, a escola Stance Dual, também de São Paulo, fornece uma cartilha que sugere bolos e biscoitos sem recheio ou cobertura, mix de frutas secas e castanhas, cenourinhas, tomatinhos, pepino em tiras, biscoito de polvilho, barra de cereal, queijos e sanduíches com bisnaguinhas de pão, entre outros. "A política da escola despertou meu interesse para a importância do lanche e presto muita atenção no que meus três filhos levam para o colégio", diz a artista plástica Rosane Graicer, mãe de meninos de 9, 7 e 3 anos. Ela conta que um dos segredos é conversar com eles sobre o que querem na merenda. Aí Rosane coloca um alimento de que gostem e outro que ela prefere que eles comam. "O importante é não proibir e ficar no discurso de 'não pode e pronto'. Se eles querem algo que não faz tão bem, eu até libero um pouco, mas friso que não é saudável, puxando pelo lado do ganho de peso e do comprometimento do desempenho deles nos esportes e nas brincadeiras", diz.
Uma boa dica para ampliar a gama de alimentos consumidos é testar novos sabores em casa. A orientadora educacional da escola Stance Dual, Cristina Junqueira de Andrade Marcondes, conta que de vez em quando pega frutas e legumes e monta um boneco com eles, junto com o filho Felipe, de 3 anos. "Depois eu o convido a experimentar um pedaço do cabelo, um braço, e aí ele vai se abrindo para provar novas coisas", diz.
Já deu para perceber que os temas da aula de merenda escolar não são tão complicados. A lição é fazer um lanche balanceado, em pouca quantidade, variado e visualmente interessante. Junte a isso um pouco de criatividade e está pronta a receita de uma refeição saudável e saborosa. Depois é só esperar que as crianças dêem a nota. Rubens, o filho de Simone, dá 10. "Gosto do lanche que ela faz porque é bem saudável e nem ligo quando meus amigos dizem que minha merenda é nojenta porque tem cenoura, tomate e bolacha sem recheio. Eu digo para eles que prefiro essa comida porque faz bem para a saúde e é melhor que batata chips, mas eles não entendem."
Doce - Eleja um dia para adicionar uma guloseima
Suco - É uma boa alternativa para a criança que não aprecia fruta
Clima - Se estiver muito quente, troque uma bebida achocolatada por suco ou água de coco, e um mix de frutas secas e castanhas por sanduíches feitos com bisnaguinhas, por exemplo
Sobras - Peça para seu filho trazê-las de volta. Isso ajuda a avaliar seu gosto e seu apetite
Bolachas - Prefira as integrais, mas confira o porcentual de farinha integral da sua fórmula. Quanto mais, melhor
Recheio - evite em bolos e bolachas. São mais calóricos e menos nutritivos
Isotônicos - Descarte. Eles têm muito sódio e, em excesso, podem causar problemas renais
Frituras - Aumentam o colesterol. Fuja delas
Vegetais - Ensine seu filho a comer cenourinhas, tomates-cereja, pepino, milho e outros
Facilite - Não esqueça que as crianças querem aproveitar o recreio para brincar com os colegas. Prepare alimentos fáceis de comer
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