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Lembro-me bem de minha incredulidade quando vi um mágico pela primeira vez. Foi na infância. Com o tempo, outro sentimento, digamos, um pouco menos nobre se esgueirou entre eu e os ilusionistas: a inveja. É isso, confesso. Eu, adulto, passei a sentir um certo tipo de inveja quando estava diante de um mágico: como assim, ele sabe o segredo e eu não? Até que me dei conta de que, numa apresentação de mágica, ocorre sempre um embate. O mágico quer iludir, o espectador quer desvendar. “Só que ambos torcem pela vitória do mágico. Quando o mágico acerta, a vitória é dos dois. Quando ele erra, a derrota também é dos dois”, diz Rudifran Pompeu, mágico há seis anos. E não é que é verdade? A moeda some diante dos meus olhos, eu fico indignado, inquieto, curioso e... feliz. Ora essa, eu fui enganado, como posso ficar feliz com isso? A psicanalista Gislene Jardim afirma que, na medida em que sabemos que vamos ser iludidos, não há engano, e sim um contrato. Daí o desejo de ambos pela vitória do mágico. E pensar que em tantas outras derrotas que tive na vida fui eu, na verdade, o maior vitorioso. Quanto ao meu pueril desejo de saber dos segredos mágicos, bem, nada que umas aulinhas e um pouco de dedicação não resolvam.
Academia Brasileira de Arte Mágica, (11) 4717-1212
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www.flasoma.com
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