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Muito se ouve falar da política da boa vizinhança, mas nem sempre a seguimos. Eu mesma confesso que demorei uma semana para agradecer à vizinha do 103 por me emprestar um colchão quando recebi visita. Que feio. Nem parece que fui criada para ser uma boa cidadã. Na infância, vivi num condomínio que era uma grande família. Se alguém estivesse cozinhando e percebesse a falta de farinha, era só bater na porta da frente. Tudo se emprestava: xícaras de açúcar, escadas para trocar lâmpadas. Apesar do meu atraso, decidi retribuir à vizinha do 103. Lembrei da história de um conhecido cujo vizinho reclamou do som alto e recebeu um pedido de desculpas acompanhado de uma cesta de café da manhã. Gostou tanto que mandou um CD de volta. Pensei: posso fazer algo parecido – e comprei um vaso de margaridas para a vizinha do 103, que o recebeu com um “você é muito gentil”. Nada como a troca de gentilezas para tornar o prédio uma verdadeira casa.
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