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Quem vê uma canoa havaiana, como essa da foto, em uma competição esportiva, pode achar tudo um pouco bizarro. Começa que a embarcação, de 14 metros de comprimento e 50 centímetros de largura, tem um apoio lateral, como uma bicicleta com aquelas rodinhas para não cair. E depois há os remadores que, enquanto dão impulso ao barquinho, vão gritando “hip!” e “ho!”. Mas tudo isso é parte de uma história de bravura que os esportistas tentam preservar. Pois foi a bordo de barquinhos assim, pequenos e aparentemente frágeis, que os polinésios cruzaram milhares de quilômetros de mar aberto no oceano Pacífico para conquistar e colonizar ilhas como o Havaí, há mais de 3 mil anos. E até a chegada dos brancos a canoa continuava sendo o principal meio de transporte na região. Hoje a proposta da canoa havaiana é outra, nem por isso menos significativa. “Ela junta contato com natureza e condicionamento físico, terapia pura para encontrar a paz interior”, diz Fábio Paiva, 15 vezes campeão brasileiro de canoagem. Embora a canoa possa ser navegada pelo mais solitário dos remadores, a formação tradicional inclui seis pessoas. “Se não houver respeito e harmonia entre todos, o barco mal sai do lugar”, diz o professor Alessandro Matero, de São Paulo.
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