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Caminhar com as pernas do cego, enxergar através dos olhos do outro. É nessa troca que o musical Good Morning São Paulo acontece. No palco, cadeirantes (deficientes físicos que usam cadeira de rodas), cegos e andantes cantam, interpretam, dançam e sobretudo emocionam. A mensagem da peça é justamente a forma como o elenco supera as limitações físicas. A solidariedade é fundamental – afinal, a vida é assim: dependemos uns dos outros para praticamente tudo. Dançar sozinho é possível, mas sentir a vibração do outro é melhor. E no espetáculo isso é essencial, um precisa tocar o outro para seguir na coreografia. Como falam as atrizes Carolina Ignarra e Roseli Behaker no encerramento da apresentação: “Conte para mim o que você vê e eu andarei por nós, olha por mim e eu te levo. Porque perfeito só tudo junto, só uma das mãos não faz o aplauso, só uma boca jamais fará o beijo”. Rir do próprio obstáculo é o que ensina essa moçada, que na peça abusa do humor para falar das suas próprias limitações. Assim, platéia e atores riem juntos, pois até para rir é melhor em conjunto.
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