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A incerteza não é algo ruim, como muita gente pensa. E, se sentida com inteireza, leva a um outro extremo, a suave aceitação de que não podemos dar conta de entender e controlar tudo. Foi essa sensação que envolveu minha visita ao ateliê de cerâmica de Suenaga & Jardineiro, um dos muitos ateliês espalhados pela cidade paulista de Cunha, encravada entre a serra da Bocaina, a serra do Mar e o mar de Paraty. Cheguei na hora em que se abria o forno para a retirada das peças já queimadas. E me espantei ao ver que compartilhava com o artesão, Gilberto Jardineiro, a surpresa de deparar com a beleza das peças de utensílio, esculturas e painéis. É que nem mesmo ele e a mulher, Kimiko Suenaga, que moldam e pintam o barro, sabem que consistência e cores as peças vão ganhar depois de expostas à circulação das chamas e das cinzas da lenha que alimenta o forno noborigama, técnica japonesa de construção em que os fornos são conjugados em degraus ascendentes. De certo, mesmo, só que nenhuma peça será igual a outra.
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