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Se você me permite, vou iniciar este texto sobre programação neurolingüística de uma maneira diferente. Antes de dar qualquer definição, dizer de onde veio e para que serve essa técnica de que tanta gente fala, proponho um exercício de mentalização. É assim: pense em alguém com quem você não se dá bem (como um vizinho ranzinza ou aquele colega de trabalho irritante). Agora, recorde-se da última vez que vocês se desentenderam. Faça um esforço e assista a essa cena de fora, como se fosse um filme. Note as reações de cada um. Tente perceber que recursos, como tolerância, paciência, confiança ou compreensão, teriam ajudado você a agir diferente naquela ocasião. Digamos que tenha faltado paciência. Tente então se recordar de outro momento em que você teve paciência de sobra. Lembrou? Então reviva esse momento como se ele estivesse acontecendo agora, sentindo a paciência (ou outro recurso que você escolheu) tomar conta de você. Transfira agora essa paciência de Jó para aquele outro você (aquele do filme, encrencado com o vizinho) e tente enxergar qual seria seu comportamento se você estivesse se sentindo assim, paciente, naquela ocasião. Aí vem a última etapa, que é pular para dentro do filme, reviver aquela situação difícil com seu vizinho, mas dessa vez agindo de maneira diferente e procurando sentir as diferenças provocadas em você e no outro por conta de sua mudança de postura. Pronto. Da próxima vez que encontrar essa pessoa, você poderá usar essa nova forma de comportamento e, possivelmente, as divergências entre vocês dois vão diminuir.
É o que diz a neurolingüística.
Escolhi começar apresentando uma técnica da programação neurolingüística (ou simplesmente PNL) porque é difícil explicar, em palavras, do que se trata. É que a PNL é vivencial, quer dizer, é mais fácil entender experimentando. "A PNL não é uma teoria, mas um método em que a pessoa primeiro vivencia, depois entende", diz a psicóloga e estudiosa de PNL Deborah Epelman. "Ela pode ser vista como uma ferramenta para melhorar a comunicação com as outras pessoas e consigo mesmo. E como um caminho para o autoconhecimento e a evolução." Outra definição comum é dizer que a PNL é uma espécie de software mental, que faz a ligação entre a linguagem e o comportamento, entendeu?
Talvez ajude se a gente destrinchar o termo programação neurolingüística. "Programação" diz respeito à capacidade que temos (segundo seus adeptos) de ajustar nosso pensamento para modificar comportamentos (foi o que propusemos no exercício acima). "Neuro" porque, obviamente, tudo que a gente faz é decidido e processado no cérebro. Já "lingüística" é o centro da teoria da PNL, porque, segundo seus adeptos, é na linguagem que se deve intervir para mudar nossos comportamentos. Por quê? Porque é aí, por meio da comunicação, verbal ou não-verbal, que nos relacionamos com o mundo, dizem eles. Trocando em miúdos, os adeptos da programação neurolingüística acreditam que, por intermédio da linguagem, podemos reprogramar a mente e modificar nosso comportamento para atingir nossos objetivos.
Como você já deve ter percebido, trata-se de uma técnica muito pragmática. Seus criadores, o matemático Richard Bandler e o lingüista John Grinder, ambos americanos, começaram procurando comportamentos semelhantes em pessoas consideradas vencedoras em suas áreas de atuação. Isso foi nos anos 70. "Eles viram que os principais fatores que levavam essas pessoas ao topo eram a capacidade de tomar decisões e, principalmente, a habilidade para se comunicar", afirma Gilberto Cury, presidente da Sociedade Brasileira de Programação Neurolingüística e um dos pioneiros do método no Brasil. Ou seja, o objetivo maior da técnica é aumentar a eficiência, o que pode ser uma qualidade e um defeito, ao mesmo tempo.
Qualidade porque pode ajudar a conquistar o que você quer. Mas, se você não sabe o que quer ou ainda não descobriu onde mora sua felicidade (e olha que tem muita gente nessa situação), os frutos da neurolingüística são bem mais modestos. Tudo isso para dizer o óbvio e evitar enganos: a neurolingüística não é um mapa da felicidade, não é a receita mágica para a auto-realização. Ela é, sim, uma ferramenta para alcançar objetivos claros. "A neurolingüística oferece às pessoas um conjunto de ferramentas para usar melhor o cérebro e atingir os resultados que ela deseja, seja no campo profissional, seja no familiar ou no afetivo", diz Mirella de Castro, presidente do Instituto Latino-Americano de Programação Neurolingüística, de São Paulo. A estudante Mairana Azevedo Crispin, de São Paulo, valeu-se dos ensinamentos da PNL para conseguir passar no vestibular. "Estudava bastante, mas na hora do exame eu ficava nervosa e não me saía bem. Os exercícios de PNL me ajudaram a controlar a ansiedade e organizar meus pensamentos", diz ela, que atualmente cursa medicina na Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto.
"Não pense em um avião cheio de macacos".
"Pense em um avião cheio de macacos".
Agora responda: ao final de cada uma, em que você pensou? Num avião cheio de macacos, certo? Mas por que, se na primeira frase a tarefa era justamente não pensar nele? Segundo a PNL, nossa psique está totalmente voltada para o positivo. Assim, quando damos comandos negativos a uma pessoa, estamos nos comunicando sem eficiência, diz ela. Quando dizemos a alguém "não se esqueça de trazer meu celular, que eu deixei na sua casa", e a pessoa esquece, ela não foi desobediente. Para a PNL, você é que se comunicou de forma inadequada. No exercício acima, se eu quisesse que você não pensasse em um avião cheio de macacos, deveria ter dito "pense em um avião cheio de elefantes" (ou cheio de qualquer outra coisa, menos macacos). Da mesma forma, haveria muito mais chances de o celular voltar à minha mão se eu dissesse: "Lembre-se de trazer meu celular".
Para a PNL, a palavra "não" é perigosa e importante. Ela tem que ser bem administrada e está sujeita a regras. No lugar de "não se esqueça de", diga "lembre-se de". Em vez de "não entre em pânico", prefira "fique calmo". E, no lugar de "não quero engordar", mentalize "quero emagrecer".
O poder está nas palavras, dizem os neurolingüistas. "Ao invés de dizer o que não quer, diga o que você sim quer", afirma Gilberto Cury. Pensar de maneira positiva, diz ele, melhora nossa performance e faz com que alcancemos nossos objetivos mais facilmente. Mas atenção: não basta falar positivo se, internamente, estamos sentindo outra coisa. Não adianta, por exemplo, ir a uma entrevista de emprego dizendo para si mesmo que vai dar tudo certo, se, lá dentro, você está consumido pela insegurança. "Essa é a diferença entre a PNL e a auto-ajuda. Não é simplesmente pensar positivo. Ela oferece as ferramentas para que a gente modifique o que sentimos e, a partir daí, os nossos comportamentos", afirma Deborah. Lembra do exemplo do vizinho ranheta? O foco do exercício era a emoção. Veja o caso da advogada paulista Renata Gomes dos Santos, que tinha fobia de dirigir. Era pegar no volante de um carro que ela achava que ia desmaiar. "Tratei-me com um psiquiatra e tomei antidepressivos, mas não deu resultado. Com a ajuda de uma terapia baseada nos pressupostos da PNL, consegui entrar em contato com meu inconsciente e descobrir os mecanismos que faziam com que eu tivesse medo de dirigir", diz ela, que hoje diz enfrentar até a hora do rush em São Paulo.
Se você se interessou pelos possíveis benefícios da PNL, é preciso alertá-lo: a PNL não é considerada oficialmente uma ciência. Assim, a formação e o exercício de seus profissionais não estão sujeitos à fiscalização de um órgão regulador. Para não entrar numa fria e buscar informações com uma pessoa despreparada (como ocorre com todas as atividades, na PNL também existem os bons e os maus profissionais), informe-se sobre o currículo do profissional - onde se formou, quantos cursos já deu etc. - e peça para ver seu diploma de master ou practioner - esses títulos, conferidos pela escola em que ele fez o curso, são essenciais para o exercício da prática profissional. Além disso, prefira os profissionais de PNL cujos cursos básicos de formação tenham, no mínimo, 90 horas de duração. Em menos tempo do que isso, ele dificilmente passará os conceitos e transmitirá informações de forma que você possa usar a PNL com bons resultados em sua vida.
em vez de dizer diga
Não pense em ......................................Pense em
Não esqueça de ....................................Lembre-se de
Não quero me atrasar ..............................Quero chegar no horário
Se beber álcool, não dirija .......................Se beber álcool, chame um táxi
Não entre em pânico ...............................Fique calmo
Nunca feche o cruzamento ..........................Deixe o cruzamento livre
Não quero engordar ................................Quero emagrecer
Não quero perder tempo ............................Quero aproveitar bem o tempo
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