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A fábrica de chapéus Cury, em Campinas, é um desses lugares onde parece que o tempo passa mais devagar. Fundada em 1920, numa época em que os homens se orgulhavam de cobrir a cabeça com um modelo que combinava com o paletó, o dia, o horário e a ocasião, de lá para cá a empresa teve de se modernizar e atender novas demandas. Produz hoje chapéus para várias finalidades, de rodeio a desfile de moda. Mas do maquinário pitoresco ainda saem os modelos clássicos, de feltro, palha ou tecido, daqueles que vemos nas fotos de avós. Detalhe: esse é um dos principais produtos. “Há gente com valores diferentes dos da cidade grande. Vá para o interior que você vai ver. Os mais velhos sempre usaram, e os mais jovens voltaram a usar, para resgatar as tradições”, diz o diretor Paulo Zakia. Começo a prestar atenção e verifico que, mesmo onde moro, São Paulo, encontro homens, jovens e velhos, portando seus chapéus. Por quê? A simples resposta de que protege contra o câncer de pele ou do frio não me parece convincente. Percebo então que há pessoas que buscam o que mais lhes agrada, sem se preocupar com a moda ou com o que é oferecido nas vitrines. E a visita a uma fábrica no interior se transforma para mim em um exercício de alteridade, uma possibilidade de enxergar o mundo com os olhos de outras pessoas.
Chapéus Cury, www.chapeuscury.com.br
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