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Cerzir amizade, costurar confiança e tecer liberdade. É uma trama de valores como essa que sustenta a quase extinta profissão de alfaiate, uma das poucas que ainda permitem proximidade suficiente com o consumidor para que se enxergue a pessoa por trás do cliente e se crie uma peça com seu jeito. E mais: que seja única, com qualidade superior à industrial. No alinhavo do terno, da calça ou do sobretudo, é preciso intimidade, não só com a roupa, mas com o futuro dono dela. No corte são esperados traços de confiabilidade e, nos arremates, fica claro que no trabalho final se produziu muito mais que uma vestimenta. “Com meu alfaiate tenho intimidade de amigo para pedir os detalhes que quero em minhas roupas e ouvir seus conselhos”, diz Walmor Hector Bernhardt, de São Francisco de Paula, interior do Rio Grande do Sul. Seu alfaiate, Oidacir Bonn, de 63 anos, costurando desde os 17, resume em duas palavras como ainda não perdeu a clientela para as lojas: respeito e honestidade. “A gente acaba costurando mais do que tecidos. Costuramos histórias de vida.”
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