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A luz que atravessa o céu é cinza. Os ruídos da rua chegam envoltos em um som ritmado e suave. Uma sensação fria penetra na roupa folgada. O domingo amanheceu chuvoso. Tinha planos ensolarados para o dia, mas a chuva muda meu humor. E não é para pior. Sei da importância da chuva. Ela funciona como um pano úmido, que filtra o ar, aliviando as tantas alergias de tanta gente. É incrível que, mesmo com tanta poluição, a natureza ainda tenha um jeito de nos mandar uma ducha limpa. Sim, limpa: a água da chuva pode ser bebida, desde que coletada diretamente do céu (em dias muito poluídos, é bom deixar chover um pouco antes de botar a jarra no quintal). Uma sonolência me invade, mas não me surpreende. Sei que o som rítmico e repetitivo da chuvarada acalma. Ao escutarmos os pingos, a consciência sofre um rebaixamento e vai diminuindo gradativamente, num estado parecido com o que precede o sono. Mas resisto. Apanho uma revista e anoto idéias do que fazer nesse domingo molhado. Encontro várias. E resolvo guardar as anotações, para usar na próxima vez em que ouvir um trovão.
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