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O vento soprava forte naquela manhã em Puerto Escondido, uma praia mexicana onde as ondas, grandes, quebram formando tubos perfeitos. Fincada na areia, uma prótese mecânica denunciava sua presença no mar. E na maior onda lá veio ele, fazendo o que muita gente sã nem sonha em fazer. Ele é o surfista brasileiro Alcino da Silva Neto, do Guarujá, litoral de São Paulo, que aos 14 anos perdeu a perna esquerda em um atropelamento, interrompendo uma promissora carreira no esporte. Mas Alcino, que ganhou o apelido de Pirata, não naufragou. Dois anos depois do acidente, já estava surfando de novo, utilizando as mãos no lugar da perna perdida. “Uma experiência dessas pode mudar sua vida para sempre. Mas, se você tiver fé e não olhar para trás, nada poderá detê-lo. Basta acreditar”, diz ele, que hoje, aos 33 anos, vive de fazer o que mais gosta: surfar e viajar. No Guarujá, mantém uma escolinha de surfe, aberta a todos, mas com lugar cativo para deficientes. Para eles, Pirata é mais que um professor. É o guru que ensina a recuperar, junto com o surfe, o prazer de viver.
Escola de Surf do Pirata, www.piratasurf.com.br, (13) 3387-2272
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