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É tudo verdade

Nas histórias dos cordéis mora a alma nordestina

Mariana Lacerda

Se queres ser universal, escreve sobre tua aldeia, disse o escritor russo Léon Tolstoi. Pois foi assim, falando do que estava à sua volta, sem nenhuma pretensão de contar o mundo, que José Francisco Borges, dito J.Borges, começou a fazer seus folhetos de cordel. Suas histórias, e são 223 até agora, nascem na lida com a vida do interior nordestino, bulindo com as histórias íntimas do povo de Bezerros, em Pernambuco, onde o cordelista viveu todos os 68 anos de sua vida. Pode-se dizer que J.Borges já é universal. Alguns de seus trabalhos integram a coleção de literatura popular da Biblioteca do Congresso, em Washington. Escrevo mentira. Mas mentira que o povo acredite. Porque, de outro jeito, termina acontecendo com todo mundo. E no que o povo acredita? Bem... Em histórias de briga e de amor. O curioso é que suas histórias começam com um desenho entalhado em madeira uma xilogravura, das que tradicionalmente ilustram os textos de cordel. Faço a xilo, o povo pergunta pela história. Então eu escrevo, diz Borges, que costuma receber estudiosos e curiosos que querem ouvir, dele mesmo, as histórias de vida e de morte, de amor e desilusão que registram o cotidiano do Nordeste e, por que não, de todos nós.

Para saber mais

• Ateliê J.Borges, R. Aprígio da Fonseca, 420, Bezerros, PE, (81) 3728-0364
Memórias e Contos de J.Borges, J.Borges, Gráfica Borges

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