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Fora de área

Desligue-se do celular de vez em quando

Ana Paula Orlandi

O telefone celular chegou ao mercado brasileiro há menos de dez anos e parece que veio para ficar. A praticidade e a economia de tempo que ele proporciona já leva muita gente a pensar que não conseguiria viver sem o aparelhinho. A adesão é tão grande (só no Brasil há 31 milhões de usuários) que anda necessário lembrar que, sim, há vida inteligente longe do portátil. É o que faz o movimento mais ou menos organizado dos sem-celular, que conta em suas fileiras com gente como o escritor Umberto Eco. Segundo esses militantes, abandonar o celular tem muitas vantagens, como manter a privacidade, preservar os saudáveis momentos de solidão e favorecer encontros espontâneos. Segundo Eco, à exceção de doentes, médicos e adúlteros, ninguém precisa, de fato, de celular. Mas é possível chegar a um meio-termo nessa história. “A exemplo de outras tecnologias, é uma questão de saber usar. O celular pode nos aproximar dos outros, como também pode controlar nossos passos”, diz o filósofo Rogério da Costa, coordenador do Laboratório de Inteligência Coletiva da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Ou seja, não é preciso abandonar o aparelhinho para experimentar a liberdade de que fala Eco. Mas desligar-se dele de vez em quando pode ser bastante saudável.

Para saber mais

Como Não Usar o Telefone Celular, (do livro O Segundo Diário Mínimo, de Umberto Eco, editora Record, 1993

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