![]() |
![]() |
Pela janela do aviãozinho apertado, o mundo foi ficando pequenininho. Primeiro foram as pessoas. Depois, os carros. Em seguida, foram as árvores e as poucas construções em volta. Chegamos ao alto. Amarrado ao pára-quedista, enfrento o vento trovejante e atravesso a pequena porta da aeronave. Meu guia se apóia em uma haste e ficamos os dois ali, dependurados na asa, a alguns quilômetros do chão. Enquanto observo meus pés balançando no ar e o mundo lá embaixo, sob eles, o instrutor larga o apoio. Despencamos. Minha primeira reação é procurar algo em que me segurar – nunca antes em minha vida eu tinha caído por mais de um segundo. A sensação é de morte iminente. Meu cérebro sabe que essa sensação é provocada pela aceleração, que dura uns 15 segundos. Mas o coração insiste em bater na garganta. Logo a resistência do ar se equivale à gravidade e estacionamos nos 300 quilômetros por hora. Sinto um alívio. E lembro de olhar para baixo. Os prédios, os carros e as pessoas crescem de novo. O pára-quedas se abre. Pousamos. Engraçado, algo mudou no mundo aqui do chão. Os dias passam e noto que os problemas cotidianos que antes pareciam gigantes ganharam perspectiva. Ficaram pequeninos, comparados ao mistério que é estar vivo.
Confederação Brasileira de Pára-Quedismo, www.cbpq.org.br
Conheça a edição deste mês folheando a revista aqui no site
Destaques da edição
Edições anteriores
Assine a revista
Folheie a edição