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Não faz muito tempo, minha vida era bastante diferente. Os compromissos, quase todos, ficavam por conta dos estudos e dos amigos. Tempos felizes, aqueles. Fazia muito e pouco me cansava. Hoje em dia, já não me sinto sempre assim. Muitas vezes, no meio da correria, bate aquele cansaço repentino, aquela vontade de desacelerar. Dia desses, depois de almoçar, me lembrei das sonecas maravilhosas que eu tirava à tarde, ainda na casa da minha mãe. O relaxamento era tão profundo que meros 15 minutos eram suficientes para recarregar todas as baterias. Resolvi retomar o hábito. De início, achei que teria algumas dificuldades. Ir para casa na hora do almoço requer um pouco de tempo e uma geladeira minimamente abastecida. Mas nada disso é problema comparado ao prazer de comer de maneira saudável e, o melhor de tudo, tirar aquele tempinho para a sesta. Fiquei tão entusiasmado com os resultados que me interessei pelo assunto. Descobri que hoje já há um consenso entre os médicos em torno desse hábito. E que é certo afirmar que a sesta aumenta a produtividade e a atenção. Se nos dias corridos de hoje já não há tantos praticantes, no passado havia muitos. Entre eles, é possível elencar alguns seguidores famosos: Winston Churchil, Brahms, Napoleão. Até o pintor surrealista Salvador Dalí era fiel ao cochilo. E tinha uma técnica para lá de criativa para não perder a hora: se acomodava numa cadeira com uma chave pesada ou uma colher na mão e, no instante em que o objeto caía no solo, ele voltava ao trabalho.
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