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“Se eu pelo menos conseguisse enxergar a tal lareira...”, lamentava um visitante da exposição Picasso na Oca, em cartaz em São Paulo, diante da tela Homem com Lareira. Mais adiante, um grupo tentava decifrar Homem com Bandolim. Apesar de não transmitirem a mesma melancolia da fase azul, nem o colorido de O Beijo, essas duas obras estão entre as que mais atraem observadores. “Você vê aquele rosto de perfil, entre a primeira e a segunda diagonais?”, mostrava uma menina à mãe. Depois de passar por tanta gente intrigada, resolvi entrar na brincadeira. Além de buscar em cada quadro os elementos descritos no título, comecei a procurar também outros, ou os mesmos em outros lugares. O exercício lembra as tardes em que, por horas, adivinhamos desenhos nas nuvens. Ao desconstruir os objetos e representá-los de muitos ângulos, o pintor espanhol inventou uma nova perspectiva, revolucionou a história da arte e também criou desafios divertidos para seus fãs. “No cubismo, não é mais com o visível que lidamos, mas com as idéias”, explica a curadora da mostra, Dominique Dupuis-Labbé. “Picasso exprime o que sabe de um ser humano ou de uma paisagem, e não apenas o que deles vê.”
Picasso na Oca, (11) 3253-5300
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