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Gente invisível

Psicólogo isola o vírus da coisificação social

Marcia Bindo

Durante oito anos, o psicólogo Fernando Braga da Costa vestiu uniforme de gari e trabalhou varrendo as ruas da Universidade de São Paulo (USP). Era sua tese de mestrado: invisibilidade pública. “As pessoas enxergam no outro apenas a função social”, diz ele, que sentiu na pele o que vive um… trabalhador invisível (vale dizer, não é ele na foto). “Descobri que um simples ‘bom dia’ – que quase nunca recebia como gari – é um sopro de vida, um sinal da própria existência.” Professores que costumavam cumprimentá-lo efusivamente nos corredores o ignoravam quando gari. Na verdade, sequer o olhavam no rosto, gesto que talvez permitisse um reconhecimento. “Quem ocupa um emprego considerado inferior fica imperceptível ao olhar da sociedade”, diz Fernando. “E não é uma questão de óptica, mas de sensibilidade.” Daí que, toda manhã, ambulantes, frentistas, serventes, boys e demais trabalhadores, com ou sem uniforme, podem estar esperando ardentemente apenas por nosso “bom dia”.

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