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O Wabi-Sabi é um conceito estético japonês calcado na observação da natureza. Pense no que é feito à mão, desafia as leis do consumo e se alimenta do tempo – como uma porta de madeira desgastada. Agora, imagine a beleza intrigante de uma cerâmica com rugosidades na superfície e marcas das mãos do artesão. Segundo João Spinelli, professor da Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA) e mestre em arte e cultura japonesa, Wabi-Sabi surge de dois estados de espírito distintos: antítese do ideal de beleza monumental e contraponto à sociedade da acumulação. “O espírito Wabi pede a eliminação do supérfluo”, diz ele. “Já o Sabi está na assimetria, na rusticidade. As saliências que as intempéries deixam na pedra, ou o silêncio latente dos espaços não pintados de uma tela.” O Wabi-Sabi é milenar, mas flerta com o cotidiano, influencia correntes artísticas e movimentos inteligentes. Para apreciá-lo, é necessário paciência, um olhar delicado e o sossego que leva à percepção das marcas do tempo.
Wabi-Sabi – For Artists, Designers, Poets & Philosophers, de Leonard Koren, 96 páginas, Stone Bridge Press, EUA.
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