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“Respeitável público! Hoje tem palhaçada?” Assim tinha início o espetáculo dos circos itinerantes, com seus malabaristas, dançarinas, pirófagos e palhaços, um tipo de entretenimento que chegou aqui no século 19. Essas trupes iam de cidade em cidade, e quem tivesse talento se engajava. Mais recentemente, nos anos 80, só o município de São Paulo tinha 450 circos em circulação, número hoje reduzido em função do alto preço de aluguéis de terrenos. Em compensação, além dos circos mambembes ainda atuantes em todo o país, surgiram companhias urbanas, como os Parlapatões, Patifes & Paspalhões, Intrépida Trupe, Circo Mínimo, Teatro do Anônimo e Nau de Ícaros, resgatando o interesse de pessoas comuns pelo aprendizado da arte circense. Nas escolas especializadas, alunos entre 11 e 30 anos, gente sem pretensão de se profissionalizar no ofício e também muitos estudantes de dança e teatro, passaram a aprender as técnicas tradicionais do picadeiro. Os motivos variam: incentivo dos pais (no caso dos mais novos), curiosidade ou inovação nas atividades físicas (entre os que já não precisam da opinião dos pais). Para a psicoterapeuta Márcia Gonçalves Ferreira, especializada em trabalho corporal e psicodrama, a atividade circense libera emoções aprisionadas. “As pessoas aprendem a superar obstáculos físicos e psicológicos.” Até hospitais foram tomados pelos artistas do circo, em projetos como o Doutores da Alegria, que garantem a tão necessária alegria a milhares de pacientes. “O palhaço traz a mensagem de que tudo na vida é possível”, afirma a psicoterapeuta. “Ele confirma a idéia de que ser feliz é o que realmente importa.”
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