De volta ao útero
Meditação na água
Liane Camargo
Água morna, a música suave da
respiração, músculos relaxados,
calma, aconchego. Perde-se a noção
do tempo, do espaço e o momento
presente é feito de suavidade e
prazer. “A meditação na água traz
de volta a felicidade do útero, a
existência anterior às preocupações.
Nesse estado, memórias registradas
no corpo se desmancham e antigas
dores se desfazem”, afirma o
psiquiatra José Ângelo Gaiarsa, um
dos mais entusiasmados defensores
dessa técnica. “Em poucos minutos
diários de prática é possível obter
instantes de compreensão que
talvez levassem anos de análise
para acontecer.” Segundo Gaiarsa,
a ausência de gravidade poupa o
cérebro de um dos seus mais árduos
trabalhos: manter o equilíbrio do
corpo. “O ser humano é o único
animal que tem a posição ereta e isso
exige uma atenção contínua, um
grande esforço do qual sequer nos
damos conta.” Ele recomenda fazer
a meditação na água de bruços,
com um flutuador na parte baixa
da barriga, além de um snorkel
(máscara de mergulho com tubo de
respiração). A posição fetal pode ser
ainda mais transformadora, já que
remete o praticante aos áureos
tempos de barriga da mamãe.
“O ideal é que a temperatura da água
seja morna, por volta de 27 graus”,
diz ele. “Assim, o corpo não perde
e nem ganha calor, num estado
metabólico ideal.”
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